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11/08/2005 - 22h10 Confissão de Duda agrava crise, deixa governo mudo e PT perplexo
Ricardo Amaral O depoimento do publicitário Duda Mendonça à CPI dos Correios, nesta quinta-feira, marcou uma inflexão na crise política. Diante da confissão de Duda de que recebeu 10 milhões de reais no exterior, referentes a dívidas do PT, oposição e governo voltaram a calcular as possibilidades políticas e jurídicas de um processo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por crime de responsabilidade.
A oposição procura agir com cautela, mas o PT reagiu com perplexidade diante das revelações, que podem comprometer o partido na Justiça Federal. A Lei Orgânica dos Partidos proíbe a utilização de recursos provenientes do exterior, por qualquer meio. Até às 21h o Palácio do Planalto não havia se pronunciado sobre o depoimento. Duda Mendonça negou, mas não conseguiu demonstrar que o dinheiro não se referia a pagamentos da campanha eleitoral de Lula, em 2002, mas das campanhas estaduais. "Temos de avaliar cuidadosamente os desdobramentos do depoimento, pois, se ficar caracterizado o crime, a oposição tem o dever de agir", disse o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN). "Mas temos de calcular também os riscos políticos dessa iniciativa, se ela for necessária", advertiu. "Não tenho dúvida de que um processo de impeachment dividiria profundamente a sociedade brasileira, com conseqüências terríveis." Líderes do PSDB e do PFL farão uma análise da conjuntura na próxima segunda-feira. "Será mais um encontro de avaliação, como já vínhamos fazendo", explicou o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), que descarta a proposta de impeachment.
"Não tenho nenhuma dúvida quanto a um crime de responsabilidade, no mínimo pela omissão do presidente da república", disse Goldman. "Seria precipitado, no entanto, propor a medida agora, pois a sociedade ainda não está suficientemente convencida e só o desejo da sociedade pode sustentar o processo." O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que o depoimento expôs "um corpo sobre o chão" e que as práticas reveladas não são admitidas pela legislação brasileira. "Ele aproximou os episódios de um pântano de evasão de divisas e sonegação fiscal", afirmou. Parlamentares da oposição e até do PT cobraram uma explicação pública do presidente. Duda Mendonça surpreendeu ao comparecer à CPI para depor espontaneamente. A comissão se reunira para ouvir a sócia do publicitário, Zilmar Fernandes, que se transformou em coadjuvante. Na véspera, Duda havia deposto à Polícia Federal em Salvador. O depoimento de Duda atraiu para a CPI líderes políticos de todos os partidos. O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o prefeito do Rio, César Maia (PFL), assistiram na sala de reuniões. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), pediu a palavra e elogiou Duda Mendonça "pela sinceridade que quebrou a monotonia de mentiras". O líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP) irrompeu na sala da CPI no meio da tarde, para fazer uma declaração de "perplexidade e indignação". Ele disse nunca ter ouvido falar que o trabalho de Duda Mendonça em sua campanha ao Senado, em 2002, teria sido pago com o dinheiro de Marcos Valério. "Minha grande tristeza é saber de tudo isso pela televisão e pela CPI", desabafou Mercadante. Na Câmara, 21 deputados da esquerda do PT desligaram-se da bancada, em sessão na qual pelo menos seis parlamentares foram às lágrimas: o ex-líder Walter Pinheiro (BA), Chico Alencar (RJ), Doutor Rosinha (PR), Iara Bernardi (SP), Luiz Bassuma (BA) e Orlando Desconsi (RS). Lula convocou no início da noite uma reunião com os ministros mais próximos: Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Dulci (Secretaria Geral), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Jaques Wagner (Relações Institucionais).
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