UOL Últimas NotíciasUOL Últimas Notícias
UOL BUSCA

Selo
Selo
ARQUIVOS

 

02/09/2005 - 12h46
Explosão agrava caos em Nova Orleans após furacão

Mark Babineck
Da Reuters

Uma violenta explosão atingiu na sexta-feira a periferia de Nova Orleans e acabou de vez com os nervos da cidade. Tropas federais finalmente se encaminham para a região, num esforço de ajuda que, segundo o prefeito, é por si só um desastre.

Jim Wilson/The New York Times 
Resgate dos sobreviventes é feito de forma lenta, assim como as outras medidas de socorro


Os policiais se trancaram nas suas próprias delegacias com medo dos saqueadores, dos tiroteios e das gangues que tomam conta da cidade, mergulhada no caos desde a passagem do furacão Katrina, na segunda-feira.

Dezenas de milhares de pessoas permanecem sentadas, desanimadas, nas ruas e calçadas próximas ao centro de convenção, à espera de uma ajuda que ninguém sabe quando vai chegar.

Outros se aventuram por ruas inundadas e cheias de destroços na direção do estádio de futebol americano Superdome, onde esperam conseguir lugar em um ônibus que os leve até uma região segura.

Essas pessoas tropeçam em cadáveres que apodrecem intocados há cinco dias. As autoridades dizem que pode haver milhares de mortos.

O presidente dos EUA, George W. Bush, realiza um tour pela região na sexta-feira, em meio a fortes críticas sobre o despreparo e a demora das autoridades federais para reagir à devastação.

Antes de deixar Washington na direção da Louisiana, do Mississippi e do Alabama, ele afirmou a jornalistas que a ajuda está "aumentando", mas reconheceu que as coisas vão mal. "Os resultados não são aceitáveis. Estou indo para lá agora. Espero falar com as pessoas no local."

O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, perdeu a paciência em uma entrevista de rádio e se disse irritado com a falta de ajuda para a cidade histórica.

"Preciso de reforços. Preciso de tropas, cara. Preciso de 500 ônibus. Agora mexam a bunda e consertem isso. Vamos fazer alguma coisa e resolver a maior maldita crise na história deste país", disse.

"Autorizamos 8 bilhões de dólares para irmos ao Iraque, num piscar de olhos. Depois do 11 de Setembro, demos ao presidente poderes excepcionais, num piscar de olhos, para ajudar Nova York e outros lugares. Você quer me dizer que, num lugar do qual vem a maior parte do nosso petróleo, não podemos descobrir uma forma de autorizar os recursos dos quais precisamos?"

Na sexta-feira, pelo menos uma explosão sacudiu a periferia sudoeste de Nova Orleans, provocando um enorme incêndio e deixando parte da cidade sob uma nuvem de fumaça negra. A explosão aparentemente aconteceu em uma área industrial bastante atingida pela tempestade, mas sua causa ainda não é conhecida.

Michael Brown, diretor da Agência Federal de Gerenciamento de Emergências, disse que 14 mil homens da Guarda Nacional estão nas áreas atingidas e que nos próximos dias o contingente deve chegar a 30 mil.

Sobreviventes

UOL Arte 
2005 deve ter o dobro de furacões da média histórica. Veja infográfico


A governadora Kathleen Blanco, que antes se disse "simplesmente furiosa" com a anarquia em Nova Orleans, afirmou que os soldados terão autorização de disparar para matar.

"Essas tropas já foram testadas em batalhas. Elas têm [fuzis] M-16 e estão engatilhados", disse Blanco. "Estas tropas sabem como atirar e matar, e espero que o façam."

Mas Nagin questionou por que os soldados não chegaram antes. "Fico ouvindo falar que eles estão vindo, estão vindo. Onde estão? As pessoas estão morrendo, as pessoas perderam suas casas, seus empregos. A cidade de Nova Orleans nunca mais será a mesma."

Os sobreviventes da tempestade se mostram chocados com o que aconteceu com a cidade, conhecida pelo jazz, pelo Carnaval e pela boa vida nos bares do Bairro Francês.

"Chame de bíblico, chame de apocalíptico, chame como quiser", disse Robert Lewis, 46, que foi resgatado da inundação dentro da sua casa e passou dois dias infernais em um abrigo improvisado até ser levado para Houston, no Texas.

"Havia corpos flutuando na frente da minha casa. Nunca vi nada assim", disse ele, quase às lágrimas.

Mas os problemas não acabaram em Nova Orleans. Os sobreviventes foram levados para o ginásio Astrodome, em Houston, onde o governo pretendia abrigar 25 mil refugiados. Mas as condições lá dentro começaram a se deteriorar, e as autoridades concluíram que o local não poderia receber mais de 13 mil pessoas.

Conforme os ônibus cheios de flagelados chegavam, funcionários os desviavam para outros refúgios, inclusive para o vizinho ginásio Reliant.

O Katrina deixou milhares de desabrigados e fechou refinarias da região, o que provocou um aumento do preço da gasolina, que está sendo vendida a mais de três dólares por galão (3,79 litros) na maior parte do país.

(Reportagem adicional de Erwin Seba em Baton Rouge, Louisiana, Paul Simao em Mobile, Alabama, Peter Cooney em Houston, Marc Serota em Pensacola, Flórida, Steve Holland e Charles Aldinger em Washington)


Leia também:

ÍNDICE DE ÚLTIMAS NOTÍCIAS   IMPRIMIR   ENVIE POR E-MAIL

Folha Online
MEC vai pedir explicações à Uniban sobre expulsão de aluna
UOL Esporte
Após fiasco de público, CBF reduz preços de ingressos para partida
UOL Economia
Bovespa reduz ritmo de perdas
perto do fim dos negócios

UOL Tecnologia
Fãs do iPhone promovem encontro no Brasil; veja mais
UOL Notícias
Ministra diz que expulsão de aluna é demonstração de intolerância
UOL Vestibular
Cotista tem nota parecida com de não-cotista aponta Unifesp
UOL Televisão
Nova novela da Record terá máfia e Gabriel Braga Nunes como protagonista
UOL Música
Radiohead entra em estúdio para trabalhar em disco novo
UOL Diversão & Arte
Escritor indiano Aravind Adiga ganha o Booker Prize
UOL Cinema
Novo filme dos irmãos
Coen tem maior bilheteria nos EUA