BRASÍLIA (Reuters) - A situação do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), complicou-se ainda mais nesta terça-feira com o aparecimento de um suposto documento assinado por ele divulgado pelo site da revista Veja, avaliaram deputados.
O documento veiculado nesta tarde é assinado por Severino em 4 de abril de 2002 e prorroga a concessão do restaurante do 10o andar do Anexo 4 da Câmara até janeiro de 2005.
Na edição desta semana, reportagem de Veja afirma que o deputado recebeu 10 mil reais, durante vários meses de 2003, do empresário Sebastião Buani, proprietário do restaurante, para garantir a renovação do contrato.
"O presidente da Câmara apresentou uma versão oficial que não se sustentou. Ele faltou com a verdade", disse a jornalistas deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA).
Severino vem negando as denúncias desde sexta-feira. Na segunda, antes de viajar para os Estados Unidos, divulgou a terceira nota sobre o assunto.
"O sr. Buani (...) está cansado de saber que os contratos da Casa são renovados anualmente e que o mandato dos membros da Mesa é de apenas dois anos. Como poderia eu, ou qualquer outra pessoa, assegurar-lhe 5 anos de concessão, sem licitação?", rebateu Severino na nota, referindo-se ao contrato iniciado em 2000.
Apesar do documento, ACM Neto considerou que ainda não é o momento de entrar com uma representação contra Severino no Conselho de Ética da Câmara, porque podem surgir "mais indícios" de irregularidades. Na segunfa-feira, PFL, PSDB, PPS, PDT e PV pediram para Severino se afastar do cargo durante as investigações, algo que ele recusou.
Para o líder do PSB na Câmara, Renato Casagrande (ES), com o novo documento a situação de Severino "fica mais frágil".
"A versão oficial não se sustentou e reforça a tese do afastamento de Severino da presidência da Câmara", disse Casagrande.
(PorÁureo Germano)