BRASÍLIA (Reuters) - A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) negou nesta quinta-feira que tenha recebido denúncias de fraude de 100 milhões de dólares ocorrida nos Correios no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Uma fonte do PT, no entanto, confirmou o recebimento do material pela senadora.
"Gostaria de ter um dossiê deste porte. Se alguém tem, que me entregue logo isso", disse Ideli à Reuters. Depois, ela ainda discursou na tribuna do Senado repetindo o desmentido.
A notícia da entrega dos documentos foi divulgada no blog do jornalista Ricardo Noblat no meio da tarde.
Em uma primeira nota, Noblat afirmava que Ideli estava acompanhada do senador Delcídio Amaral (PT-MS) em São Paulo quando recebeu a denúncia.
Depois, o jornalista corrigiu a informação, afirmando que apenas Ideli e o deputado Carlito Merss (PT-SC) estavam presentes e que o encontro não tinha acontecido em São Paulo e sim em Brasília. Mas manteve as demais informações e deu detalhes.
Os documentos, segundo o blog, foram entregues pelo empresário Edson Brockveld, dono da Brockveld Equipamentos e Indústria Ltda., com sede em São Paulo.
A documentação trazida por Brockveld trata, de acordo com o blog, de uma licitação dos Correios de 1999 para construir e equipar centros de distribuição da empresa em diversos Estados. A licitação teria sido superfaturada.
De acordo com a fonte do PT, a senadora teria recebido o material, mas "olhou apenas por alto", sem emitir juízo de valor.
Após ler as notícias no blog, Ideli percebeu que algumas informações da conversa entre ela e o empresário foram vazadas e concluiu que o diálogo foi gravado. O petista confirmou ainda que Carlito Merss estava no encontro.
Ideli foi procurada novamente, mas não estava disponível.
(Por Carmen Munari)
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