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26/09/2005 - 19h00
Plinio, Bicudo e deputados deixam PT

SÃO PAULO (Reuters) - Insatisfeitos com o processo de eleições internas, o petista histórico Plinio de Arruda Sampaio e dois deputados do partido, Ivan Valente (SP) e Orlando Fantazzini (SP), anunciaram nesta segunda-feira a saída do PT e o ingresso no PSOL. O jurista Helio Bicudo também deixará o partido.

"Estamos nos desfiliando hoje do partido que ajudamos a fundar há 25 anos, o PT. Não é uma decisão tranqüila... Mas o PT esgotou seu papel como instrumento de transformação da realidade brasileira", diz nota assinada por Plinio e Valente.

Com o apoio da tendência Ação Popular Socialista, Plinio tinha até sábado 13,4% dos votos nas eleições internas do PT, ou quase 40 mil votos. Ele é o quarto colocado na eleição.

Para Plinio e Valente, o processo de eleições em curso é uma "armadilha" do Campo Majoritário, ala que domina o PT há dez anos.

Marcadas para 2004, as eleições foram adiadas para se realizarem às vésperas da data de troca partidária, que se encerra na sexta-feira, o que força os petistas descontentes a deixar o partido antes do final do processo eleitoral.

"Se optássemos por nele permanecer, nosso apoio inequívoco no segundo turno seria para o companheiro Raul Pont", afirmam na nota. Pont, da Democracia Socialista, está pouco à frente de Valter Pomar, da Articulação de Esquerda. Ricardo Berzoini, secretário-geral do PT e representante do Campo, está na frente.

Sem partido

Helio Bicudo, que estava no partido desde sua fundação, não tem prazo para se desfiliar porque não tem cargo eletivo.

"A decisão está tomada, mas ainda vou ver o que acontece no partido nos próximos dias", disse à Reuters.

Ele afirmou que não deseja se filiar a outra legenda. "Para que outro partido? Pode-se atuar sem partido, há espaço em movimentos sociais", disse.

Orlando Fantazzini, de acordo com sua assessoria, vai se filiar ao PSOL para ficar mais próximo do trabalhador e de políticas sociais. Outro que já se decidiu pela desfiliação é o deputado Chico Alencar (RJ). Segundo sua assessoria, ele deve anunciar sua decisão até terça-feira. Ele também irá para o PSOL, partido da senadora Heloisa Helena (AL), expulsa do PT.

Reação

No Rio de Janeiro, Ricardo Berzoini lamentou a saída, que classificou de antidemocrática. "Isso me parece um comportamento antidemocrático, condicionar a permanência em uma agremiação partidária dependendo da correlação de forças interna. Respeito a decisão deles, mas lamento porque foram pessoas que ajudaram a construir o partido", disse.

Tarso Genro, atual presidente do PT, afirmou em nota que a saída é um ato unilateral.

"A decisão de saída de um partido político é um ato de consciência, logo, uma tomada de posição unilateral de quem se retira de uma agremiação partidária."

(Por Carmen Munari)

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