RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, avaliou que o resultado do referendo de domingo pode representar um gesto de maturidade da sociedade brasileira de não abrir mão de um direito adquirido, refutando a tese de que se tratou de um voto de protesto.
Para o ministro, se a opção contra a proposta de proibição da venda de armas no país foi motivada por uma questão como o direito de portar armas, isso merece uma análise mais aprofundada.
"Se for esse o motivo importante, isso é um sinal de maturidade da população, não apenas um comportamento conservador ou reativo", disse o ministro a jornalistas nesta terça-feira, após participar de evento no BNDES.
Para Palocci, são precipitadas algumas das avaliações feitas até agora sobre a vitória do "não", que justificam o resultado por uma melhor campanha do que a do "sim" ou como um protesto contra o governo federal e os governos estaduais.
"O referendo merece uma boa reflexão... temos que olhar melhor e avaliar melhor o comportamento da população (no referendo)... olhar, por exemplo, se a população não tem uma reação toda vez que ela percebe que uma determinada medida pode representar a retirada de um direito, seja qual for esse direito", afirmou Palocci.
O ministro lembrou que na época do plebiscito sobre a mudança do regime de governo do país, os defensores do presidencialismo argumentaram --para obter a vitória nas urnas-- que a sociedade perderia o direito de escolher o seu presidente caso fosse aprovada a mudança para o regime parlamentarista.
Ao ser questionado sobre seu voto no domingo, Palocci respondeu que estava fora de seu domicílio eleitoral e por isso justificou o voto. Mas o ministro evitou comentar se era à favor do "não" ou do "sim".