BRASÍLIA (Reuters) - Enquanto a CPI dos Correios teve seu prazo prorrogado depois de uma dura disputa entre oposição e governo, a CPI do do Mensalão, criada para apurar o suposto pagamento de dinheiro a deputados da base aliada em troca de apoio no Congresso, pode ser concluída sem a votação de um relatório final que confirme a tese da propina parlamentar.
Os trabalhos da comissão mista terminam oficialmente no próximo dia 16, após o feriado da Proclamação da República, na terça-feira.
Como a expectativa é de que a presença de deputados e senadores em Brasília seja fraca na semana que vem, as chances de coletar o número mínimo de assinaturas (171 na Câmara e 27 no Senado) para prorrogar as investigações são pequenas.
O senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA) ficou encarregado de conseguir apoio de seus colegas. Ele afirmou ter, até agora, 30 rubricas favoráveis à continuidade dos trabalhos no Senado.
Mas o problema é na Câmara. O deputado José Rocha (PFL-BA), que faz o mesmo trabalho junto aos deputados, disse ter recolhido apenas 10 assinaturas até agora. Ele próprio considera difícil obter número suficiente de apoio até a quarta-feira.
"Fizemos o requerimento ontem, mas os deputados já tinham viajado. Vamos tentar coletar na quarta, mas acho complicado por conta do feriado. Vai depender do quórum", afirmou Rocha à Reuters nesta tarde.
Se a CPI for concluída no prazo previsto, terminará sem que seja confirmado o suposto esquema de pagamento de mesada a deputados em troca de apoio ao governo, motivo pelo qual parlamentares suspeitos de envolvimento no esquema denunciado estão prestes a perder seus mandatos.
O ex-ministro José Dirceu (PT-SP), acusado de ser o mentor intelectual da eventual operação, é um deles.
(Por Natuza Nery)
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