BRASÍLIA (Reuters) - O deputado José Dirceu (PT-SP) foi cassado num movimento de preservação da imagem do Congresso diante das pressões da opinião pública, avaliaram líderes partidários após a sessão na madrugada desta quinta-feira.
"Acho que fez-se justiça porque a sociedade precisava disso e o Congresso também precisava disso, para começar uma vida nova", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP).
"Atendeu-se a expectativas até justas, de desencanto da sociedade, numa decisão passional e emocional", disse o vice-líder do PT, José Eduardo Cardozo (SP).
A cassação do ex-ministro encerrou cinco meses de tensão política e até disputas entre a Câmara e o Supremo Tribunal Federal. Apesar de ter derrotado o antigo homem forte do governo Lula, a oposição não festejou o anúncio do resultado.
"Foi uma decisão acertada do plenário, mas não comemoro, é um momento triste da Câmara", disse o líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ). Para o tucano Goldman, a cassação não representou uma condenação política do governo. "Foi uma condenação ao processo de corrupção que foi identificado e que precisamos extirpar", argumentou.
José Eduardo Cardozo e os líderes do PSB, Renato Casagrande (ES), e do PL, Sandro Mabel (GO), ressaltaram que a decisão não considerou a produção de provas contra o ex-ministro.
"Foi uma decisão eminentemente política", disse Casagrande. "A Câmara errou, porque regras e princípios não foram observados, perderam com isso o Direito e o Estado de Direito", acrescentou Cardozo.
"Foi uma cassação sem provas que fragiliza o parlamento", lamentou Mabel, que, também acusado de envolvimento no mensalão, foi absolvido no plenário.
(Por Ricardo Amaral, Áureo Germano e Natuza Nery)