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 Internacional

07/12/2005 - 20h36
EUA são pressionados em negociação sobre clima

Por David Fogarty e Timothy Gardner

MONTREAL (Reuters) - A União Européia (UE) e o Canadá, onde acontece uma conferência mundial sobre o aquecimento da Terra, aumentaram na quarta-feira a pressão sobre os EUA, pedindo que o país embarque no pacto internacional que prevê cortes na emissão de gases do efeito estufa.

Ministros do Meio Ambiente de mais de 90 países tentaram romper um impasse em torno do lançamento de negociações sobre um sistema de limitação dos gases do efeito estufa, algo que desagrada os EUA e países em desenvolvimento como a China e a Índia.

"Continuaremos a conversar com nossos parceiros norte-americanos e a lembrá-los de seus compromissos", disse o comissário europeu do Meio Ambiente, Stavros Dimas.

Segundo Dimas, o presidente norte-americano, George W. Bush, tinha concordado, na cúpula de julho do G8 (Grupo dos Oito, que reúne os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia) e na cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) de setembro, com dar prosseguimento às negociações sobre as mudanças climáticas.

Mas o representante de Bush nas negociações de Montreal, onde acontece a atual conferência, Harlan Watson, rejeitou o ingresso em uma nova rodada de negociações globais, afirmando que tais negociações levariam inevitavelmente à fixação de novos limites de emissão, algo que o governo dos EUA rejeita.

"Não há qualquer desculpa para mais atrasos em agir", disse o primeiro-ministro canadense, Paul Martin.

"Para os países relutantes, entre os quais os EUA, eu digo: 'Há algo como uma consciência global e é hora de escutá-la"', afirmou o dirigente. "Acima de tudo, a hora de agir é agora."

Os EUA produzem um quarto dos gases do efeito estufa lançados na atmosfera no mundo todo e derivados da queima de combustíveis fósseis.

'SEJA CORAJOSO'

O presidente da França, Jacques Chirac, pediu aos ministros presentes em Montreal que fossem corajosos.

"Precisamos, agora, nos preparar para seguir adiante," disse, em um pronunciamento gravado, ao se referir ao corte de emissões do gás carbônico, do metano e de outros gases do efeito estufa, apontados como os responsáveis pelo aquecimento da Terra.

Os delegados enviados ao encontro, que acontece entre os dias 28 de novembro e 9 de dezembro, avançaram pouco nas negociações a respeito da nova fase dos esforços mundiais de combate ao efeito estufa, a ser iniciada após a fase atual do Protocolo de Kyoto, que prevê limites de emissão e que foi rejeitado pelos EUA e pela Austrália.

A primeira fase de Kyoto, que termina entre 2008 e 2012, impõe limites de emissão para cerca de apenas 40 dos países mais ricos do mundo. Muitas nações e grupos ambientalistas afirmam que o pacto só será eficiente se todos os países do mundo aderirem.

Mas adotar essa medida significaria um grande fardo econômico para muitos países e, em especial, para os países que registram atualmente os maiores índices de crescimento econômico. Os países ricos, segundo o bloco dos países pobres, deveriam tomar a frente do processo.

"Essas são, potencialmente, as negociações economicamente mais significativas que o mundo já realizou", disse uma importante autoridade de uma potência ocidental que não quis ter sua identidade revelada.

Na terça-feira, o Canadá divulgou um projeto que prevê um processo de dois anos para discutir medidas de longo prazo no combate às alterações climáticas. Entre essas medidas está o investimento em tecnologias mais preservacionistas.

Alguns ambientalistas dizem que essa proposta é tímida, mas que um acordo a respeito dela seria algo positivo em face do atual impasse.

"Não acho que isso signifique muita coisa. Mas, se os EUA assinarem esse acordo, então poderemos avançar", afirmou Catherine Pearce, do grupo Amigos da Terra.

A maior parte dos cientistas do mundo todo afirmam que a concentração anormal, na atmosfera, de gases do efeito estufa produzidos pela queima de combustíveis fósseis em usinas de energia, fábricas e automóveis está esquentando a Terra.

O fenômeno, dizem, pode provocar mudanças catastróficas no planeta, tais como a elevação do nível dos oceanos devido ao derretimento das calotas polares.

Os ambientalistas defendem que os países ricos esqueçam os EUA e concentrem-se em planos para realizar novos cortes nas emissões a partir de 2012, afirmando que não havia mais tempo para hesitações.

(Reportagem adicional de Alister Doyle e Mary Milliken)

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