Por Mark Heinrich e Francois Murphy
VIENA (Reuters) - A diretoria da agência nuclear da ONU decidiu neste sábado levar o Irã ao Conselho de Segurança das Nações Unidas devido a suspeitas de que o país venha tentando fabricar armas atômicas, afirmou um diplomata que participou da sessão.
O Irã ameaçou retaliar a decisão proibindo as inspeções da ONU às suas instalações nucleares e interrompendo as negociações para uma proposta de comprometimento com a Rússia.
Segundo o diplomata, a resolução de aumentar a pressão para que o Irã coopere com a inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA, na sigla em inglês) em seu programa nuclear, proposta pela UE, foi aprovada pela diretoria da IAEA, composta por 35 nações. No total, 27 países membros votaram a favor, três contra e cinco se abstiveram.
A votação ocorreu um dia após o previsto por causa da oposição de 15 países em desenvolvimento do Movimento dos Países Não-alinhados (NAM). Eles tentavam abrandar a resolução, temendo criar antagonismo com o Irã e diminuir suas fontes de energia.
Diplomatas afirmaram que a UE rejeitou as tentativas de excluir a cláusula determinando que todos os relatórios e resoluções da IAEA, incluindo uma de 2005 declarando que o Irã desobedece as leis de não-proliferação, sejam passadas para o Conselho de Segurança.
"Isso era impossível. O parágrafo 2 é sagrado para nós," disse um diplomata da UE.
Outro diplomata disse que remover o parágrafo 2 significaria render-se à intimidação iraniana. "A ameaça (de restringir as inspeções) estava na cabeça de todos, mas consideramos isso chantagem e, se nos dobrássemos, não haveria um fim."
Diplomatas da França, Alemanha e Grã-Bretanha disseram estar determinados a induzir a república islâmica a passar a limpo a suspeita de envolvimento militar no trabalho nuclear e a encerrar o enriquecimento de urânio.
Conscientes de que a Rússia, a China e os países em desenvolvimento querem evitar um atritos com o quarto maior exportador de petróleo do mundo, líderes dos EUA e da UE insistiram que levar o Irã ao Conselho de Segurança não significa abandonar a diplomacia ou decretar sanções imediatas.
Os países do NAM argumentaram que o parágrafo 2 pode ser interpretado como o fim da inspeção da IAEA no Irã e pode detonar sanções antes de a agência concluir sua investigação sobre o programa de energia atômica iraniana --que ficou secreto durante 18 anos, até 2003.
O Irã diz querer apenas energia nuclear, não bombas, e que tem soberania para fazer combustível de urânio em seu próprio território.
Segundo uma fonte, outra controvérsia que adiou a decisão em Vienna referiu-se a uma cláusula, proposta pelo Egito, dizendo que resolver a questão iraniano iria contribuir para a criação de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio.
A redação aludia claramente a Israel e mostrou-se inaceitável para Washington. Israel nunca confirmou ou negou possuir um arsenal nuclear, mas acredita-se que o país tenha cerca de 200 bombas atômicas.
A Rússia e a China aprovaram a resolução na semana passada após terem a garantia de Washigton e da UE de que não haverá pressão para ações do Conselho de Segurança antes de março, removendo a maior barreira à resolução.
"Uma vez que o assunto entrar na pauta do Conselho de Segurança, prevemos uma abordagem gradual para aumentar a pressão ao governo de Teerã e chegar a um acordo negociado," disse o embaixador norte-americano Gregory Schulte na sexta-feira.
O Irã diz que não há base legal para que a questão seja encaminhada ao Conselho de Segurança já que a IAEA não encontrou provas de um programa de armas nucleares. Segundo ele, Washington quer derrubar o governo islâmico do Irã, que pede a destruição de Israel.
O negociador do Irã Ali Larijani pediu que a Alemanha, França e Grã-Bretanha reiniciem as negociações para uma solução diplomática. Mas eles dizem que o Irã deve agir primeiro, voltando atrás da decisão de retomar a pesquisa atômica o enriquecimento de urânio em pequena escala, anunciado em 9 de janeiro.
(Com reportagem de Parisa Hafezi e Paul Hughes em Teerã)
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