LONDRES (Reuters) - As pessoas nascidas na primavera ou no início do verão no hemisfério norte têm 17 por cento a mais de risco de cometer suicídio em relação às que fazem aniversário no outono ou no começo do inverno, afirmaram pesquisadores nesta terça-feira.
Eles descobriram que as mulheres nascidas em abril, maio e junho tinham 29,6 por cento mais chances de tirar as próprias vidas. Os homens apresentavam risco 13,7 por cento maiores.
"Nossos resultados dão suporte à hipótese de que há um efeito sazonal nas taxas mensais de nascimentos de pessoas que se matam e que há um excesso desproporcional dessas pessoas nascidas no fim da primavera e em meados do verão em relação aos outros meses", afirmou o doutor Emad Salib, da Universidade de Liverpool, em um relatório no British Journal of Cancer.
Salib e Mario Cortina-Borja, da University College, em Londres, analisou os dados de 26.915 suicídios e mortes com lesões não determinadas na Inglaterra e no País de Gales entre 1979 e 2001. Todas as pessoas envolvidas tinham nascido entre 1955 e 1966.
Eles afirmaram que tinham sido descobertas tendências sazonais de nascimento em casos que incluíam câncer de mama e de testículos, doenças coronárias, tumores cerebrais, doença de Crohn e estágios iniciais do linfoma de Hoggkin.
As descobertas são condizentes com as informações de taxas maiores de nascimentos na primavera e no início do verão daqueles que sofrem de alcoolismo e distúrbios comportamentais, cujas mortes representam cerca de 10 por cento do total anual na Inglaterra e no País de Gales.
Salib, no entanto, afirmou que as descobertas não mostram que a esquizofrenia, que também se relaciona aos riscos de suicídio, tenha vínculo com os nascimentos no inverno.
Os pesquisadores sugerem que a exposição dos fetos a fatores como dieta das mães, infecções, toxinas, quantidade de luz solar e hormônios poderia estimular distúrbios físicos e psiquiátricos, incluindo suicídio, na idade adulta.
Salib espera que as descobertas melhorem a compreensão sobre o suicídio e a capacidade de prevenir as pessoas sob maior risco.