Por Lisa Richwine
WASHINGTON (Reuters) - As autoridades norte-americanas aprovaram na quinta-feira a comercialização de medicamento da Pfizer que, em um ano de testes clínicos, ajudou cerca de um quinto dos fumantes envolvidos a deixarem o hábito.
O Chantix, que será vendido sob prescrição, é um dos vários medicamentos com os quais o maior laboratório do mundo espera reverter a tendência de queda nos lucros. A Pfizer prevê vendas anuais de 1,2 bilhão de dólares para o Chantix até 2010, mas alguns analistas estão céticos.
O Chantix funciona de forma diferente de outros recursos, a maioria dos quais fornece fontes alternativas de nicotina. A nova droga atua sobre uma área do cérebro afetada pela nicotina, segundo a Food and Drugs Administration (FDA) dos EUA.
Ela dá aos fumantes que tentam abandonar o hábito alguns efeitos equivalentes ao da nicotina, o que atenua a síndrome de abstinência. Além disso, segundo a agência, o remédio bloqueia os efeitos da nicotina dos cigarros caso o paciente volte a fumar.
O Zyban, do laboratório GlaxoSmithKline, também tem seu uso aprovado contra o tabagismo, mas seu funcionamento não é plenamente compreendido.
Em dois estudos patrocinados pela Pfizer, fumantes que tomaram Chantix por 12 semanas apresentaram maior tendência a pararem de fumar do que os usuários do Zyban. Naquele período, 44 por cento dos pacientes com Chantix pararam de fumar, contra 30 por cento dos usuários de Zyban.
Antes do tratamento, os fumantes consumiam uma média de 21 cigarros diários durante cerca de 25 anos.
Um ano depois, porém, havia muito menos diferenças entre o grupo que usava Chantix e o do Zyban, embora ambos tivessem resultados melhores do que os usuários de um placebo, segundo a FDA.
Um estudo mostrou que cerca de 22 por cento dos usuários do Chantix continuavam sem fumar um ano depois, em comparação com 16 por cento dos usuários de Zyban e 10 por cento dos que tomaram placebos.
Um segundo estudo concluiu que não havia diferenças estatísticas entre usuários do Zyban e do Chantix, segundo Curt Rosebraugh, subdiretor do departamento da FDA que aprovou o medicamento da Pfizer.
Estima-se que 44,5 milhões de norte-americanos adultos fumem, e mais de 8,6 milhões deles têm pelo menos uma doença grave causada pelo cigarro, segundo estatísticas do governo.
A Sociedade Americana do Câncer saudou o Chantix como uma nova opção. "Mas sabemos há muito tempo que o que acontece nos estudos nem sempre acontece na vida real, então ainda está por ser visto se a taxa de sucesso poderá ser mantida fora do ambiente de testes clínicos", disse Thomas Glynn, diretor do grupo.
A náusea foi o efeito colateral mais relatado, por 30 por cento dos pacientes que tomaram a dose máxima de Chantix e por 10 por cento dos usuários do placebo. Outros efeitos adversos incluíam dores de cabeça, vômitos, flatulência, insônia e sonhos estranhos.
O tratamento recomendado dura 12 semanas. Pacientes que param de fumar durante esse período podem tomar o Chantix por mais 12 semanas, para reforçar as chances de que continuem longe do cigarro, segundo a FDA.
A agência aprovou o medicamento com base em uma regra que acelera a avaliação de drogas que oferecem benefícios potencialmente significativos.
O Chantix, cujo nome genérico é vareniclina, estará disponível nas farmácias dos EUA a partir do segundo semestre, segundo a Pfizer. O preço ainda não foi definido.
A Pfizer está buscando novos medicamentos que melhorem as vendas, prejudicadas pelos problemas do analgésico Celebrex, sobre cuja segurança há suspeitas, e a concorrência de genéricos dos seus remédios mais antigos.
Alguns analistas questionaram as projeções da Pfizer para as vendas do Chantix. John Boris, da Bear Stearns, estimou que as vendas serão de 500 milhões de dólares em 2010, lembrando que a Glaxo teve dificuldades em convencer os seguros-saúde a arcarem com o Zyban.
As ações da Pfizer inicialmente subiram mais de 1 por cento em Nova York após a aprovação do Chantix, mas fecharam em baixa de quase 1 por cento, num dia de pouco movimento.
(Reportagem adicional de Julie Vorman)
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