SÃO PAULO (Reuters) - O comandante da Polícia Militar paulista, coronel Elizeu Eclair, negou nesta terça-feira que tenha havia acordo entre autoridades e a facção criminosa PCC após a diminuição dos ataques pela cidade de São Paulo e o fim das rebeliões nas penitenciárias do Estado entre segunda e terça-feira.
"Acordo com o Estado? Esquece, jamais", disse Eclair a jornalistas no Palácio dos Bandeirantes.
Segundo ele, a onda de violência detonada desde sexta-feira acalmou devido ao maior número de criminosos presos e mortos nas últimas 24 horas, sem registro de baixa entre policiais.
No último balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Estado, nesta tarde, 24 suspeitos foram presos e outros 33 morreram em confrontos, elevando o número de bandidos mortos de 38, na segunda-feira, para 71. No total, 115 pessoas já morreram.
"A caça continua. Apesar do resultado positivo, a gente ainda tem trabalho a fazer", disse Eclair.
Ele comentou que na noite anterior ainda ocorreram alguns distúrbios, como um tribunal e um posto policial em Osasco que foram metralhados ou bananas de dinamite que foram encontradas em um carro.
"A gente ainda tem problemas, muitas ações não têm nada a ver com organizações criminosas, como moleques das favelas aproveitando (a situação)", afirmou.
Eclair disse que 140 viaturas especiais estavam nas ruas entre 17h de segunda e 7h desta terça-feira, ajudando na captura dos criminosos.
Mais cedo, o delegado-geral da Polícia Civil do Estado de São Paulo, Marco Antônio Desgualdo, também descartou a suspeita divulgada pela mídia de que teria havido acordo entre autoridades e a facção criminosa PCC.
"A polícia foi para cima. Aqui não tem acordo. Começam a cutucar a onça com vara curta, vai ter encrenca", disse o delegado em entrevista. "Não serão atendidas reivindicações, portanto, não procede notícia de acordo."
Os ataques contra alvos policiais e civis começaram na noite de sexta-feira, numa reação da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) à transferência de líderes da organização para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (a 620 km da capital), complexo de segurança máxima idealizado para abrigar os membros do PCC.
Entre os 765 detentos transferidos estava Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal chefe do grupo.
(Por Terry Wade)
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