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 Internacional

22/05/2006 - 14h42
Humala vence debate presidencial no Peru, dizem pesquisas

LIMA (Reuters) - O comandante do Exército na reserva Ollanta Humala, que está atrás do ex-presidente Alan García nas pesquisas eleitorais para a Presidência do Peru, foi o vencedor do debate realizado neste fim de semana, mostraram sondagens de opinião na segunda-feira.

Cinquenta e três por cento dos entrevistados disseram que Humala venceu o debate, e 47 por cento consideraram García o vitorioso, de acordo com a pesquisa feita pelo principal El Comercio. A sondagem entrevistou 4.400 pessoas pela Internet.

Pesquisas realizadas pelas emissoras de rádio nacionais RPP e CPN chegaram ao mesmo resultado.

Os dois candidatos esperavam conquistar, com o debate de domingo, os cerca de 25 por cento de eleitores indecisos ou que pretendem anular o voto no segundo turno das eleições, que será realizado no dia 4 de junho.

Um Humala sorridente, mas nervoso, prometeu abandonar o atual modelo econômico de livre mercado, que ajudou o PIB do Peru a crescer 7 por cento no ano passado, e assumir o controle dos recursos naturais peruanos, para redistribuir a riqueza. Ele afirmou que vai reduzir os preços da gasolina em 30 por cento e que, se for eleito, não vai receber salário.

"Como é possível que só sejamos os donos de nossos recursos naturais enquanto eles estão debaixo da terra? É como dizer a uma mãe que a criança não é mais dela depois que nasce", disse Humala, de 43 anos.

O candidato pretende recolher royalties de todas as empresas mineradoras que atuam no Peru, incluindo aquelas que estão protegidas de aumentos de impostos até 2018 por seus contratos. Também pretende elevar os royalties sobre a produção de gás natural no país.

García, que é visto como um candidato mais próximo dos empresários, apesar da ruína econômica em que concluiu seu governo (1985-1990), acusou Humala de propor um governo autoritarista e de querer seguir o exemplo da Bolívia, que nacionalizou suas reservas de petróleo e gás natural.

"Políticas como as de Evo Morales (presidente da Bolívia) só vão criar mais desemprego e discórdia", disse ele.

García, de 56 anos, afirmou que vai reduzir a pobreza e manter a economia forte transformando as áreas montanhosas andinas pobres do país em exportadoras de produtos agrícolas.

Ele disse que Humala pretende reduzir o preço da gasolina com cortes de impostos que empobrecerão milhões de pensionistas.

García liderava as intenções de voto, segundo pesquisa divulgada no domingo, por 56 por cento contra 44 por cento de Humala.

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