BRASÍLIA (Reuters) - A invasão da Câmara dos Deputados por militantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) --que resultou em depredação, feridos e presos-- causou indignação entre os congressistas. No plenário, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), afirmou que deu ordem de prisão aos manifestantes.
Antes de ser preso, o líder do MLST, Bruno Maranhão, secretário nacional de Movimentos Populares do PT, tentou entregar uma carta de cinco páginas com sete reivindicações para o presidente da Câmara, mas ouviu apenas um alerta de que seria detido.
"Nenhum movimento tem direito de depredar patrimônio que é do povo, por isso, vou sempre agir com autoridade nesses casos", disse Aldo a jornalistas.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também se recusou a receber nesta tarde a carta do movimento, em meio ao tumulto no Congresso. "Uma coisa é movimento dos sem-terra, outra coisa é movimento dos sem-lei. Neste caso, foi uma obra de arruaceiros e baderneiros", comentou Renan.
O líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), divulgou nota dizendo que a bancada do partido condena com veemência o vandalismo e pediu para que se evite a partidarização do episódio.
"Com a autoridade de quem sempre se opôs às tentativas de criminalizar os movimentos sociais, a bancada deixa claro que a violência e o vandalismo praticados na Câmara não servem aos objetivos de nenhum movimento social", afirmou.
O deputado pefelista Pauderney Avelino (AM) lamentou o ocorrido como mais um ataque ao Congresso como instituição. "Eu pensei que já tivéssemos chegado ao fundo do poço. Infelizmente, o que aconteceu hoje demonstra uma completa falta de respeito ao Parlamento brasileiro por um bando que não pode ficar impune", disse.
(Por Natuza Nery)