Por Caroline Drees
WASHINGTON (Reuters) - A campanha militar de Israel contra o Hizbollah é uma dádiva para a política externa do governo norte-americano, que espera com isso reforçar sua "guerra ao terrorismo" e ampliar a pressão sobre o inimigo Irã, segundo analistas.
"Não é só Israel que não quer um cessar-fogo aqui", disse David Makovsky, do Instituto para a Política do Oriente Próximo, de Washington.
A Casa Branca, tradicionalmente aliada incondicional de Israel, diz que o Estado judeu tem o direito à legítima defesa e nega que os nove dias de bombardeios sobre o Líbano possam ser considerados parte de uma guerra também norte-americana.
Mas funcionários do governo admitem que o atual conflito, iniciado após o grupo xiita ter seqüestrado dois soldados israelenses, também está ajudando alguns objetivos dos Estados Unidos.
"À medida que isso é parte da guerra ao terror, certamente temos interesse nisso", disse o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, na quarta-feira.
Ele afirmou que os ataques do Hizbollah, apoiado pelo Irã e pela Síria, criaram na comunidade internacional a urgência de conter o grupo, ao mesmo tempo que incentivam a Organização das Nações Unidas (ONU) a adotar uma resolução contra o programa nuclear iraniano.
Embora alguns analistas prevejam um aumento do antiamericanismo entre os árabes, outros afirmam que os EUA estão tendo uma chance para que militares de outros países levem adiante os objetivos de Washington.
"Parece a oportunidade perfeita para os EUA baterem bumbo e dizerem às pessoas: 'Olhem, é hora de acordar e sentir o cheiro do café"', disse James Carafano, especialista em segurança da entidade conservadora Heritage Foundation, ligada ao governo.
"As pessoas que estão fazendo o mal no Oriente Médio são Síria, Irã, Hizbollah e Hamas. Essa gente é tão ruim quanto a Al Qaeda, e temos de nos unir e lidar com isso se quisermos a paz no Oriente Médio", afirmou ele.
Vários especialistas, inclusive Makovsky, acham que o conflito ajudou os EUA a mostrar ao Irã que a República Islâmica não conseguirá assustar o mundo nem desviar a atenção de seu programa nuclear usando o Hizbollah como preposto militar.
O influente colunista conservador Charles Krauthammer qualificou o atual conflito de "oportunidade de ouro, sem precedentes" para promover o objetivo norte-americano de desmantelar o Hizbollah.
"Todos concordam que isso é necessário. Mas quem faz isso? Ninguém. Os libaneses são fracos demais. Os europeus não invadem ninguém. Após sua amarga experiência de 20 anos atrás (um ataque em 1983 que matou 241 militares norte-americanos), os EUA têm alergia ao Líbano", escreveu ele no jornal The Washington Post.
A campanha de Israel contra o Hizbollah também se encaixa na tese, desenvolvida pelo governo Bush após os atentados de 11 de setembro de 2001, de que a guerra ao terrorismo não se limita à Al Qaeda. Há muito tempo os EUA incluem o Hizbollah na lista de grupos que consideram terroristas.
"O que está sob ataque é a civilização liberal democrática, cujo principal representante atualmente por acaso são os EUA", escreveu William Kristol, editor da revista conservadora Weekly Standard, na última edição.
Talvez o governo discorde, mas Kristol conclui: "Esta é nossa guerra também."
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