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01/08/2006 - 15h20
Euforia de exilados cubanos em Miami cede lugar a nervosismo

Por Jim Loney e Jane Sutton

MIAMI (Reuters) - O sentimento de euforia transformou-se no nervosismo da expectativa em Miami, nesta terça-feira, enquanto os exilados cubanos esperavam pelo fim do regime de Fidel Castro. Ao mesmo, o governo norte-americano afirmou estar atento para qualquer sinal de uma migração em massa.

Os exilados invadiram as ruas de Little Havana, em Miami, durante a noite de segunda-feira, dançando para comemorar a notícia de que Fidel Castro havia, pela primeira vez desde 1959, transferido o poder temporariamente ao irmão devido a uma cirurgia intestinal.

O senador republicano pela Flórida Mel Martínez, que fugiu de Cuba quando criança, disse que esperava há muito tempo "pelo dia em que o povo de Cuba veria um dia sem Fidel Castro".

"Há a possibilidade de que ele esteja gravemente doente ou morto", disse Martínez em Washington. "Não acho que haveria um anúncio como esse se não estivesse bem claro que ele está incapacitado e não se recuperará no curto prazo".

Castro entregou o poder provisoriamente, na segunda-feira, aos seu irmão mais novo e provável sucessor, Raúl Castro, depois de se submeter a uma cirurgia para conter um sangramento gastrointestinal.

"Fidel Castro abriu mão de suas funções ditatoriais", disse solenemente um apresentador de Miami.

Miami abriga cerca de 650.000 cubanos e descendentes de cubanos. Não houve tumultos nem prisões nas manifestações de alegria durante a noite, disse o prefeito Carlos Alvarez, que pediu aos moradores, porém, que não interrompam o tráfego na cidade.

"Sei que é um momento para comemorar, para ficar feliz com as coisas que estão acontecendo em Cuba", disse Alvarez. "Mas temos de lembrar que não podemos bloquear as ruas".

O deputado republicano por Miami Mario Diaz-Balart, sobrinho da ex-mulher de Fidel Castro, comemorou o fim do que ele chamou de "regime quase terrorista de 50 anos".

"Pode levar horas, dias ou meses, mas ele está saindo", disse Diaz-Balart à emissora WSVN, de Miami.

As autoridades norte-americanas e da Flórida sempre tiveram a expectativa de que a morte de Fidel provocaria um êxodo caótico de Miami, com os exilados voltando em massa para a ilha para visitar ou buscar familiares.

A Guarda Costeira norte-americana está monitorando cautelosamente a situação, disse a suboficial Dana Warr. "Temos planos de contingência se alguma coisa acontecer", disse ela, sem dar mais detalhes.

O Comando Sul das Forças Armadas dos EUA também está observando a situação na região, "mas não há motivo para nenhum tipo de reação neste momento", disse o porta-voz Steve Lucas.

O prefeito Alvarez disse que o governo federal já garantiu, no passado, que terá "recursos suficientes para evitar uma migração em massa".

A Calle Ocho, principal rua do bairro cubano de Miami, ficou lotada durante a noite de cubanos com bandeiras do país, gente que esperou anos, ou décadas, para que Fidel Castro deixasse o poder.

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