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01/08/2006 - 15h44
Aliados de Cuba rejeitam intervenção, diz embaixador brasileiro

Por Ricardo Amaral

BRASÍLIA (Reuters) - A notícia de que o presidente cubano Fidel Castro teve de se submeter a uma cirurgia de emergência surpreendeu e deixou preocupado o corpo diplomático brasileiro em Havana.

Diplomatas acompanham a situação na expectativa de que não haja interferência externa no processo político e institucional do país, relatou à Reuters o embaixador do Brasil em Cuba, Tilden Santiago.

"A preocupação central dos representantes de países amigos de Cuba é de que os cubanos decidam seu futuro sem interferências externas", afirmou, por telefone, o embaixador, que no Brasil é dirigente do Partido dos Trabalhadores, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Seria muito ruim, em um mundo que já assistiu a episódios como o que houve no Iraque, se fossem repetidas em Cuba atitudes intervencionistas", acrescentou Santiago, sem mencionar diretamente o governo dos Estados Unidos, que há quatro décadas sustenta um embargo econômico contra Fidel.

Segurança

Santiago contou que os embaixadores acreditados junto ao governo cubano estão se articulando no sentido de obter informações mais precisas sobre o estado de saúde de Fidel, que faz 80 anos este mês.

"Tudo o que sabemos é o que consta na nota divulgada pela televisão cubana", disse Santiago. "Nós, embaixadores de países amigos, estamos nos reunindo em grupos regionais e devemos procurar o Ministério de Relações Exteriores por mais informações."

Santiago afirmou que ele e embaixadores de outros países têm expressado que "o futuro de Cuba deve ser decidido pelos próprios cubanos" caso a doença de Fidel provoque seu afastamento definitivo do poder, entregue provisoriamente ao irmão Raúl Castro.

De acordo com o embaixador brasileiro, não há sinais de anormalidade em Havana, a não ser pela presença de agentes de segurança em pontos da cidade que ele não precisou.

"A vida segue normalmente na capital, notando-se apenas a presença de agentes de forças especiais em certos locais estratégicos", disse Santiago.

Entre membros do corpo diplomático em Havana, especula-se que Fidel sofra de diverticulite, mesma doença que levou à morte o presidente eleito do Brasil Tancredo Neves, em 1985.

"Fomos surpreendidos, porque não havia indícios recentes de problemas de saúde, e nos preocupamos também porque sangramentos intestinais são sintomas de problemas difíceis de tratar", disse o embaixador do Brasil.

Santiago contou que esteve pessoalmente com Fidel há cerca de um mês, numa recepção diplomática, e não percebeu qualquer sintoma de doença ou indisposição.

"Os relatos que tivemos de quem esteve com ele recentemente na Argentina, nas homenagens do Mercosul a Che Guevara, também informavam que Fidel estava bem disposto", acrescentou o embaixador referindo-se a evento de 12 dias atrás.

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