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 Internacional

04/08/2006 - 15h54
Guerra no Líbano piora; ataques israelenses matam 40

Reuters

Corpos de agricultores curdos sírios repousam após ataque israelense no nordeste do Líbano

Corpos de agricultores curdos sírios repousam após ataque israelense no nordeste do Líbano

Por Alistair Lyon

BEIRUTE (Reuters) - A guerra entre Israel e o Hizbollah recrudesceu na sexta-feira, com a morte de pelo menos 40 civis no Líbano, vítimas dos bombardeios aéreos israelenses, e de três pessoas em Israel, atingidas por foguetes lançados pelo Hizbollah. Enquanto isso, as potências mundiais não conseguem chegar a um acordo para impor uma trégua.

Um dos bombardeios israelenses atingiu uma fazenda perto de Qaa, próximo à fronteira com a Síria, no vale do Bekaa, segundo autoridades locais. Ali, ainda segundo essas fontes, os trabalhadores, a maioria curdos sírios, carregavam caminhões de frutas quando foram atingidos. Trinta e três pessoas morreram e 20 ficaram feridas.

Um porta-voz do Exército israelense disse que os ataques aéreos naquela área tinham como alvo duas construções que, segundo informações da inteligência, eram usadas pelo Hizbollah para guardar armas. Imagens da TV mostraram corpos que se pareciam com trabalhadores, perto das ruínas de uma pequena edificação, em meio a um pomar. Espalhadas perto dali havia cestas de frutas.

Depois do ataque de domingo contra Qana, onde até 54 civis morreram, foi o bombardeio aéreo mais mortífero contra o Líbano no conflito.

Um outro ataque aéreo contra uma casa na cidadezinha de Taibeh, no sul do Líbano, matou sete civis e feriu dez, afirmou uma fonte do setor de segurança. Segundo ela, os civis tinham se refugiado na casa.

Aviões israelenses destruíram quatro pontes na principal estrada litorânea ao norte de Beirute, prejudicando os esforços para ajudar os civis desalojados pelo conflito no Líbano.

Como não foi tomada nenhuma atitude pela Organização das Nações Unidas para pôr fim aos combates, que já duram 24 dias, as batalhas continuavam no sul do Líbano, conforme as tropas de Israel tentavam ampliar os pequenos enclaves que controlam na fronteira.

Guerrilheiros do Hizbollah lançaram mais de 100 foguetes contra o norte de Israel, ferindo várias pessoas, além das três mortes, segundo fontes médicas. Na quinta-feira, os foguetes haviam matado oito israelenses.

O bombardeio das pontes nos redutos cristãos ao norte de Beirute interrompeu a estrada litorânea que vai até a Síria, que era chamada pela ONU de "cordão umbilical" da chegada de ajuda ao Líbano.

"A estrada inteira está destruída", disse Astrid van Genderen Stort, da agência de refugiados da ONU. "É um grande revés, porque usávamos essa estrada para levar funcionários e suprimentos para o país."

Israel afirmou ter destruído as pontes para evitar que a Síria volte a armar o Hizbollah, grupo que também recebe apoio do Irã.

AJUDA HUMANITÁRIA

A Comissão Européia disse que o bombardeio das estradas tornou mais difícil levar ajuda humanitária à região.

"Precisaremos de garantias para a segurança dos nossos funcionários na área se quisermos continuar a levar ajuda", disse o comissário para ajuda humanitária, Louis Michel.

O Programa de Alimentação da ONU suspendeu comboios programados para ir até a cidade portuária de Tiro, porque os ataques aéreos contra Beirute impediram os motoristas de chegar ao ponto de partida.

Combatentes do Hizbollah mataram três soldados israelenses com um míssil antitanque perto de Markaba, disse o Exército. A TV Al Arabiya afirmou que cinco soldados haviam morrido. A imprensa israelense disse que sete guerrilheiros do Hizbollah também morreram no confronto.

Segundo o Hizbollah, oito tanques e um blindado foram destruídos por seus guerrilheiros perto das cidades de Markaba, Aita al-Shaab e Taibeh.

Israel deslocou mais de 10 mil soldados para o Líbano, e disse ter estabelecido uma zona de proteção composta de 20 cidadezinhas, a até 7 km de sua fronteira. O ministro da Defesa ordenou ao Exército que se prepare para um possível avanço para o norte.

No total, pelo menos 720 pessoas morreram no Líbano e 74 em Israel desde o início do conflito, deflagrado por uma operação em que militantes do Hizbollah sequestraram dois soldados israelenses e mataram oito, no dia 12 de julho.

Os Estados Unidos e a França devem realizar novas reuniões para tentar superar suas divergências em relação à proposta de resolução do Conselho de Segurança da ONU que visa a estabelecer um cessar-fogo, apoiado por uma força internacional mais robusta que a missão de paz da ONU que já atua no sul do Líbano.

Washington quer a presença da força internacional no sul do Líbano imediatamente após a trégua. A França, cotada para liderar a missão, quer que os soldados só sejam deslocados quando houver um cessar-fogo de caráter permanente.

O secretário-assistente de Estado dos EUA, David Welch, vai a Beirute no sábado para conversar com o premiê libanês, Fouad Siniora, sobre como pôr fim à guerra, disseram fontes políticas.

No outro front de combate israelense, contra a Faixa de Gaza, em represália ao sequestro de um outro soldado por militantes palestinos, soldados de Israel mataram três palestinos na sexta-feira. Também houve bombardeios contra alvos militantes, que deixaram quatro feridos.

Pelo menos 164 palestinos já morreram desde o início da ofensiva em Gaza, no dia 28 de junho.

O premiê palestino, Ismail Haniyeh, integrante do Hamas, descreveu as ofensivas israelenses em Gaza e no Líbano como uma "guerra contra o Islã".

(Reportagem adicional dos escritórios de Jerusalém, de Genebra e das Nações Unidas)

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