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07/08/2006 - 21h09
SP sofre novos ataques do crime organizado; autoridades federais e estaduais divergem

Robson Ventura/Folha Imagem

Vidro quebrado no prédio da Secretaria de Fazenda de SP após ataque

Vidro quebrado no prédio da Secretaria de Fazenda de SP após ataque

Por Eduardo Lima

SÃO PAULO (Reuters) - Enquanto São Paulo contava os números da terceira onda de atentados promovidos pelo crime organizado em menos de três meses, autoridades estaduais e federal trocavam críticas sobre um pacote de ajuda para conter a violência no Estado.

Da madrugada de domingo (6) até a tarde desta segunda-feira (7), a Polícia Militar de São Paulo registrou 78 ataques, com 93 alvos atingidos -entre eles, prédios públicos e privados, incluindo o edifício do Ministério Público do Estado (MPE), no centro da capital

Doze suspeitos de ter participado dos ataques foram presos, e outros dois morreram em confronto com a PM. Não houve mortos nem feridos entre os civis e os integrantes das forças de segurança.

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, rebateu no final do dia declarações do secretário de Segurança Pública do Estado, Saulo de Castro Abreu Filho, sobre a falta de repasse de verbas, afirmando que os R$ 100 milhões prometidos já estavam disponíveis, mas que faltava um projeto a ser enviado pelo Estado.

"Pela veemência das declarações de algumas autoridades de São Paulo, fico com a impressão de que se está usando o fato de esse dinheiro não ter chegado como um tipo de pretexto", disse Thomaz Bastos, sem mencionar o nome do secretário.

Abreu Filho havia desafiado mais cedo o governo federal a entregar os R$ 100 milhões prometidos em julho, montante que sairia do Fundo Penitenciário (Fupen) para investimentos no serviço de inteligência, reconstrução de presídios e aquisição de novos equipamentos.

"O ministro da Justiça faltou com a verdade quando disse que os 100 milhões (de reais) ... viriam já", disse Abreu Filho.

O governador Cláudio Lembo (PFL) também criticou o governo federal. "Colocar tropa federal em São Paulo neste momento, tropa que ainda tem que ser cooptada em todo o país, é ingênuo", disse.

Agências, postos e supermercado

Segundo levantamento divulgado à tarde, 22 ônibus foram incendiados no Estado, sendo apenas um na capital. Doze postos de gasolina, 34 agências bancárias e caixas eletrônicos, duas concessionárias de carros, um supermercado e um trem do metrô foram atacados, segundo os dados da PM e da Secretaria de Segurança.

"Esta ação do crime organizado prova que eles estão fugindo do confronto com a polícia", disse o comandante-geral da PM de SP, Elizeu Eclair Teixeira Borges, acrescentando que, nesta madrugada de segunda para terça-feira, a polícia vai triplicar o número de viaturas nas áreas afetadas. "E, se atacarem a polícia, terão revide imediato que a lei permite."

O ataque à sede do Ministério Público Estadual, no centro de São Paulo, ocorreu por volta das 5h desta segunda. O prédio foi atingido por uma bomba caseira, que chegou até a destruir janelas no sexto andar do edifício. O prédio da Secretaria da Fazenda do Estado, no centro da cidade, e uma base da Guarda Civil Metropolitana na zona sul da capital também foram alvos dos criminosos.

Em um estacionamento próximo ao Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) da Polícia Civil, um incêndio danificou diversos carros, entre eles duas viaturas.

Dos 78 ataques, a PM informou que 40 foram atingidos por coquetéis molotov, 26 por disparos de armas, 11 por artefatos explosivos e outro ainda está sendo investigado.

Dia dos Pais

O procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho, disse na manhã desta segunda-feira que o MPE já tinha informação sobre a eventualidade desse ataque à sua sede, uma vez que vem atuando contra o crime organizado.

Rumores sobre uma nova onda de ataques surgiram após um promotor do MPE comentar à rádio Jovem Pan na sexta-feira que ele seria contra a saída temporária de presos na semana do Dia dos Pais (próximo domingo). Quem dá o aval para isso é a Justiça, ouvindo a opinião do MPE e da Secretaria de Administração Penitenciária.

Além disso, também na sexta-feira, o MPE acusou Marcos Camacho, o Marcola, de participação na morte de um bombeiro no dia 12 de maio, na primeira onda de ataques atribuída ao grupo Primeiro Comando da Capital (PCC).

A primeira série de ataques no Estado começou com rebeliões em presídios e atentados contra alvos policiais e civis, como o transporte público e agências bancárias.

Segundo as autoridades, nos incidentes de maio (iniciados dia 12), mais de 160 pessoas morreram, sendo 41 agentes públicos (policiais, guardas municipais e agentes penitenciários). Os outros eram suspeitos que morreram em confrontos com a polícia ou em rebeliões nos presídios.

Na segunda onda de violência, deflagrada em 11 de julho, houve pelo menos 106 ataques, mais de 60 prisões e dez mortes, sendo três de suspeitos. Alvos civis como supermercados, bancos e ônibus foram atacados.

(Com reportagem de Fernanda Ezabella e Alice Assunção em São Paulo, e Ricardo Amaral em Brasília)

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