Por Paulo Emílio
RECIFE (Reuters) - A disputa eleitoral para o governo do estado de Pernambuco está ficando mais acirrada e indefinida. A vantagem inicial do atual governador Mendonça Filho (PFL), que liderava as pesquisas com larga vantagem sobre os adversários, já não é tão confortável, o que poderá levar a disputa ao segundo turno.
De acordo com os dados da última pesquisa Ibope, Mendonça Filho registra 34 por cento das intenções de voto, dois pontos a mais que o registrado na pesquisa anterior, realizada em primeiro de agosto. A elevação está dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais.
O novo fator da eleição pernambucana é o ex-ministro da Ciência e Tecnologia e candidato pela Frente Popular de Pernambuco (PSB, PP, PDT, PSC, PL), Eduardo Campos (PSB), que subiu de 14 por cento para 19 por cento na última pesquisa.
O ex-ministro da Saúde e candidato pela coligação Melhor para Pernambuco (PT, PRB, PTB, PAN, PMN, PCdoB), Humberto Costa (PT), teve uma queda de dois pontos percentuais, também dentro da margem de erro, registrando 22 por cento das intenções de voto.
Na eventualidade de um segundo turno entre Mendonça Filho e Humberto Costa, o pefelista venceria com 47 por cento contra 37 por cento, segundo a pesquisa. Caso a disputa venha a ocorrer com Eduardo Campos, Mendonça venceria com 49 por cento contra 34 por cento. A diferença para Campos, que na pesquisa anterior era de 22 pontos percentuais, caiu para 15 nesta última rodada.
Para o cientista político Michel Zaidan, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o crescimento de Eduardo Campos é justificado pelo baixo índice de rejeição do candidato. "Ele possui os menores índices dentre os candidatos com chances reais nesta disputa. Já Humberto Costa vem enfrentando uma série de desgastes por conta de sua atuação frente ao ministério da Saúde", avaliou.
Mendonça Filho, da coligação PFL, PSDB, PMDB, PTN, PPS e PHS, que teve sua liderança inicial impulsionada pela herança do governo anterior, ainda "tem que provar a que veio", segundo Zaidan. "Ele vem na esteira do governo Jarbas (Vasconcellos), com o discurso da continuidade. Mas esta transferência de votos não é automática", observa.
O cientista político comenta que a possibilidade de um eventual segundo turno em Pernambuco é real. "E é bem provável que Eduardo venha a ser quem vá disputar o segundo turno com o candidato governista", afirmou.
Zaidan, porém, não descarta que o peso político do presidente Lula possa vir a fazer a balança pender para o lado de Humberto Costa. "O Lula tem uma força considerável junto ao eleitorado estadual e este fator não pode ser desprezado".
Humberto Costa confirma que uma de suas estratégias principais será "colar" sua imagem à do presidente. "Vamos colar em Lula. Todo mundo sabe que foi Lula quem trouxe uma refinaria para Pernambuco; que fui eu, juntamente com o presidente, que trouxe a Hemobrás para o Estado, e que até mesmo o estaleiro que será construído teve o dedo de Lula, uma vez que foi a mudança no eixo dos investimentos, com foco em regiões menos desenvolvidas como o Nordeste, que tornou tudo isso possível", afirma.
Costa concorda que a tese do segundo turno ganha força e garante que a esquerda pernambucana estará unida em torno de um único candidato, seja ele ou Campos.
O atual governador, Mendonça Filho, informou através de sua assessoria de campanha que "está trabalhando para ganhar as eleições" e não comentou os resultados da pesquisa eleitoral. Eduardo Campos não retornou os contatos da reportagem para comentar o assunto.
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