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27/09/2006 - 12h52
Cirurgia executada sob gravidade zero é bem-sucedida na França

Por Claude Canellas

MERIGNAC, França (Reuters) - Cirurgiões franceses realizaram com sucesso uma cirurgia considerada a primeira da história em condições de gravidade zero, num procedimento que esperam ter servido de teste para uma cirurgia eventual em astronautas no espaço, em caso de necessidade.

Dominique Martin, chefe da unidade de cirurgia plástica do hospital universitário de Bordeaux, removeu um lipoma (um cisto de gordura) do antebraço do paciente voluntário Philippe Sanchot.

"Ocorreu tudo de acordo com nossas expectativas. Hoje realizamos um teste de factibilidade", disse Martin numa entrevista coletiva num aeroporto perto de Bordeaux, no sul da França.

A operação durou cerca de 11 minutos, divididos em 32 trechos, durante os quais o Airbus 300 Zero G teve períodos de 22 segundos de queda livre, para reproduzir as condições de gravidade zero.

Num centro cirúrgico especialmente desenvolvido, com 2 x 2 metros, os instrumentos cirúrgicos foram mantidos imóveis por fortes ímãs, e os cirurgiões ficaram presos por cintos de segurança.

"Se tivéssemos duas horas de gravidade zero contínua, poderíamos ter feito uma operação de apendicite", disse Martin.

O ambiente, criado com a ajuda de uma fábrica de elevadores, tem o objetivo de no futuro ser instalado na Estação Espacial Internacional ou numa base na Lua, disse Martin ao jornal francês Libération.

"Hoje, se houver uma emergência absoluta lá, um hematoma intracraniano, por exemplo, não podemos fazer nada", disse ele. "E, mais cedo ou mais tarde, vamos enfrentar o problema."

Nas condições normais, a operação de quarta-feira seria um procedimento simples realizado sob anestesia local. Sem gravidade, o trabalho dos cirurgiões é mais difícil e as reações do corpo do paciente são diferentes.

"O débito cardíaco fica reduzido, o que cria um estresse vascular. O sangue não é bombeado do mesmo jeito. O mais importante é que ele flutua para fora da ferida na forma de esferas, por isso tivemos de criar um aspirador especial de vácuo para contê-lo", disse Martin ao jornal.

As operações do futuro no espaço serão realizadas com robôs especiais, controlados desde a Terra, com a ajuda de anestesistas humanos a bordo.

"Hoje, um robô não tem como operar em condições sem gravidade. Estamos aprendendo para programá-lo para trabalhar em nosso lugar", disse ele.

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