Por Ricardo Amaral
BRASÍLIA (Reuters) - Uma semana depois de ter sido reeleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou nesta segunda-feira a coordenação de governo para informar os ministros sobre a "renovação do contrato" da equipe e as mudanças a partir de 2007.
De acordo com um auxiliar muito próximo, com quem conversou antes da reunião, Lula quer deixar claro que assumiu a coordenação política, já definiu os objetivos da economia e vai exigir novas metas de cada ministério.
"O presidente considera o segundo mandato como um novo governo e se impôs o desafio pessoal de obter melhores resultados na economia, na articulação política e nos programas sociais", disse a fonte à Reuters.
Lula, segundo essa fonte, está avisando que pretende manter basicamente a mesma equipe, mas quer trazer "gente nova, com experiência política e administrativa" para o ministério.
A área econômica foi a primeira a receber novas instruções, quarta-feira passada, que se resumem a promover maior crescimento da economia, mantendo a inflação baixa e as metas de superávit primário na área fiscal.
Lula está discutindo a política monetária diretamente com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Ele permanece no cargo para manter a trajetória de queda da taxa básica de juros (Selic). Terá de submeter a Lula os nomes de substitutos de diretores do BC que deixarem os postos, acrescentou a fonte.
"Para o segundo governo, Lula decidiu tratar crescimento econômico e articulação política como responsabilidades indelegáveis, mesmo que conduzidas pelos ministros e pelo BC", disse o auxiliar do presidente.
O presidente não quer repetir o "erro de método" que julga ter cometido ao assumir em 2003, quando os ex-ministros José Dirceu (Casa Civil) e Antônio Palocci (Fazenda) atuaram com autonomia na política e na economia.
Dirceu chegou a fechar um acordo para dar dois ministérios fortes ao PMDB, que Lula vetou. Palocci decidiu a política monetária com Meirelles até o terceiro trimestre de 2005, quando Lula os responsabilizou pelo crescimento medíocre.
Na reunião de quarta-feira, com Meirelles e os ministros Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento) e Dilma Rousseff (Casa Civil), o presidente deu por encerrado o debate teórico sobre crescimento dentro do governo.
"Não me venham falar em desenvolvimentismo, mas em desenvolvimento", disse Lula, segundo a fonte da Reuters, ao encomendar projetos e medidas voltados para esse objetivo.
FRENTE PARTIDÁRIA
Mesmo tendo anunciado, semana passada, uma reunião com os governadores eleitos e reeleitos, Lula não definiu data e formato. O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, entrou de férias sem ter instruções sobre o encontro.
"Ninguém terá delegação para fechar acordos ou negociar posições e ministérios. Lula só vai tratar disso depois de conversar com os dirigentes dos partidos aliados", acrescentou o auxiliar do presidente.
Para construir uma base parlamentar mais consistente no segundo mandato, Lula estimulou o debate sobre a formação de uma frente partidária formal e estável, com cargos no governo e posições de comando no Congresso. No PT, a frente é defendida pelo presidente do partido, Marco Aurélio Garcia.
O presidente vai exigir dos ministros metas mais ambiciosas na infra-estrutura, na saúde, na educação e nos programas sociais, porque considera que vai começar o segundo mandato em condições melhores do que havia em 2003.
"No primeiro mandato, a crise econômica foi superada e os problemas sociais começaram a ser atacados. Não há desculpa para não fazer mais", avalia o presidente, segundo o auxiliar.
Para definir as novas metas, Lula quer engajar os chamados movimentos sociais no processo de elaboração do Plano Plurianual (PPA) 2007-2011, numa escala mais forte do que na primeira experiência desse tipo, feita em 2003.