WASHINGTON (Reuters) - O Departamento de Tesouro dos Estados Unidos disse na quarta-feira que identificou nove pessoas e duas entidades como provedoras de apoio financeiro e logístico ao grupo islâmico Hezbollah, através da região sul-americana conhecida como "Tríplice Fronteira".
O Tesouro determinou o congelamento dos ativos norte-americanos dos suspeitos e a proibição de transações com cidadãos e bancos dos Estados Unidos.
"No relatório que divulgamos hoje há dados, por exemplo, sobre Ali Kazan, que no fim de agosto ajudou a arrecadar mais de 500.000 dólares para o Hezbollah", disse o secretário-assistente do Tesouro norte-americano sobre Financiamento ao Terrorismo, Pat O'Brien.
"Então, em linhas gerais, é seguro dizer que milhares de milhões de dólares foram arrecadados e movimentados por meio dessa rede", acrescentou numa alusão à Tríplice Fronteira.
Autoridades norte-americanas têm expressado preocupação nos últimos anos com a possibilidade de que a Tríplice Fronteira --compartilhada por Brasil, Paraguai e Argentina-- seja um centro de financiamento e lavagem de dinheiro para grupos militantes islâmicos como Hamas e Hezbollah, fato negado pelo Brasil.
Há uma grande comunidade árabe na região.
O Departamento de Tesouro disse que as nove pessoas identificadas são financiadoras de Assad Ahmad Barakat, considerado pelos Estados Unidos como um "terrorista global".
O Hezbollah é considerado um grupo terrorista por Washington.
O Departamento de Tesouro identificou Muhammad Yusif Abdallah, dizendo que era um suposto funcionário de alto escalão do Hezbollah na região, que tem um centro de compras na Ciudad del Este, Paraguai, onde membros do grupo libanês são proprietários de várias empresas.
O centro Galeria Pagé funciona como fonte de financiamento para o Hezbollah, um grupo xiita com poderosa força guerrilheira envolvido numa guerra com Israel este ano, segundo o comunicado.
"Abdallah leva pessoalmente dinheiro para o Hezbollah, servindo como um correio de fundos do Hezbollah desde a TBA (sigla em inglês para a área da Tríplice Fronteira) ao Líbano", disse o Tesouro.
Outros membros do Hezbollah que trabalham na área da Tríplice Fronteira foram apontados pelo Tesouro como suspeitos de traficar drogas, falsificar dólares e contrabandear armas e explosivos.
(Por Gilbert Le Gras)
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