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 Internacional

12/02/2007 - 19h30
Bush tenta convencer o mundo de que não pretende atacar o Irã

Por Steve Holland

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tenta convencer o mundo de que não tem intenção de invadir o Irã, apesar das frequentes acusações norte-americanas de que a República Islâmica contrabandeia armas para o Iraque.

Os rumores sobre um eventual ataque ao Irã cresceram devido ao envio de mais dois porta-aviões norte-americanos ao golfo Pérsico e ao discurso de 10 de janeiro em que Bush disse que "o Irã está fornecendo apoio material para ataques a tropas norte-americanas" e prometeu que os EUA vão "impedir esses ataques".

Nesta semana, a capa da revista Economist perguntava: "Próxima parada, Irã?", diante da imagem de um caça dos EUA em vôo.

A Casa Branca vê as tensões com as ambições nucleares do Irã como uma questão separada do suposto apoio militar a insurgentes no Iraque. Bush quer resolver a questão nuclear diplomaticamente, mas autorizou as forças dos EUA a capturar ou matar iranianos envolvidos em ataques a norte-americanos e iraquianos dentro do Iraque.

"Não estamos nos preparando para uma guerra contra o Irã, mas o que estamos fazendo é proteger nossa própria gente. E vamos fazer isso. E vamos deixar claro que isso será prioridade", disse na segunda-feira o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow.

Os democratas dizem temer que se repita a situação de 2002 e 2003, quando Bush iniciou a guerra do Iraque prometendo destruir armas de destruição em massa que afinal nunca foram encontradas.

"Foi assim que nos metemos na confusão no Iraque. Alguns de nós apoiamos aquelas resoluções (que autorizaram a guerra) por causa de informações manipuladas. Então estou muito cético, com base no histórico deste governo em nos levar nesta direção", disse o senador democrata Christopher Dodd no domingo à rede CBS.

Mas Bush atribui esse tipo de comentário a interesses eleitorais da oposição. "Minha reação a todo esse barulho de que 'Ele quer ir à guerra' é que, antes de tudo, não entendo a tática. Acho que eu diria que é política", disse Bush na segunda-feira à emissora pública C-Span.

A Casa Branca diz também que grande parte se deve ao frenesi da mídia atrás de uma nova história. "Não acho que haja uma mudança de tom da nossa parte. Acho que houve tentativas, com todo o devido respeito, na imprensa de tentar açoitar isso -- 'O governo vai atrás do Irã?"', disse Snow.

Anthony Cordesman, especialista em Oriente Médio do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, de Washington, disse que o debate sobre uma guerra com o Irã é alimentado por democratas que querem atacar Bush e por neoconservadores que realmente gostariam de derrubar o regime islâmico iraniano.

"Está bastante claro pelo conteúdo que eles (o governo) estão tentando impedir o fluxo de dinheiro e armas (para o Iraque), não tentando arrumar uma guerra com o Irã. Afinal, os sinais são mais de dissuasão do que outra coisa."

O Departamento de Estado diz não haver dúvida alguma da interferência iraniana no Iraque.

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