Por Pedro Fonseca
RIO DE JANEIRO (Reuters) - Três franceses que trabalhavam em uma ONG no Brasil foram mortos a facadas nesta terça-feira em um apartamento em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Um funcionário da organização, preso no local do crime, confessou a participação no assassinato e o desvio de 80 mil reais da entidade, segundo a polícia.
Os franceses da ONG Terr'Ativa eram o casal Delphine Douyère, 36, e Christian Doupes, 38, que moravam na cidade há mais de oito anos, e o amigo e bolsista da entidade Jérôme Faure, 42. Eles foram assassinados no local onde funcionava a organização, no mesmo prédio em que viviam.
O funcionário da ONG Tarsio Wilson Ramires, de 25 anos, confessou ter planejado o crime após ser preso pela Polícia Militar na saída do edifício. Ramires aparece no site da organização como coordenador de um projeto de dança e música no Morro do Fubá, zona norte da cidade, que beneficiaria 40 crianças.
Segundo a polícia, ele assumiu ter contratado dois amigos por 2 mil reais para assassinar os representantes da ONG depois que Delphine descobriu o golpe financeiro e passou a lhe pressionar para que devolvesse o dinheiro.
"O motivo parece ser a queima de arquivo, ou seja, não deixar vestígio do desfalque. Eles foram lá tentar ocultar o desvio", disse a jornalistas o delegado-adjunto da 12a Delegacia Policial de Copacabana, Marcus Castro. "Acho que certamente foi isso que aconteceu."
O delegado acrescentou que a ONG teria orçamento mensal de 20 mil reais e que o desvio de verba vinha acontecendo há bastante tempo.
Além de Ramires, outros dois suspeitos foram presos pela polícia nesta tarde. De acordo com o delegado, o porteiro do prédio barrou a saída de Ramires por volta das 8h. O suspeito primeiro negou sua participação, mas em depoimento na delegacia confessou o crime.
Com ferimentos nas mãos e sujo de sangue, ele carregava uma mochila com um pequeno cofre supostamente roubado do apartamento. O segundo suspeito, também ferido, foi preso em um hospital e também levado para a delegacia, enquanto o terceiro foi encontrado no bairro da Lapa.
"CENA MONSTRUOSA"
"O local do crime é uma cena monstruosa. São três pessoas mortas a facadas e sangue para todo o lado", disse a jornalistas o tenente-coronel Eraldo Almeida Rodrigues, subcomandante do 19o Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Copacabana. Uma das vítimas estava amarrada e com a cabeça pendurada, segundo a polícia.
O delegado disse que os criminosos carregavam consigo máscaras de Carnaval, luvas cirúrgicas e três facas grandes compradas para o crime. Segundo ele, Ramires disse em depoimento que pretendia dar um susto nas vítimas, "mas essa hipótese está descartada."
Delphine Douyère e Christian Doupes tinham um filho de 2 anos, nascido no Brasil, que estava em casa com a babá. A criança foi enviada ao Conselho Tutelar enquanto aguarda a chegada no país dos avós maternos, que já embarcaram rumo ao Rio de Janeiro, de acordo com o consulado francês na cidade.
A TerrAtiva é uma organização não-governamental franco-brasileira, criada em junho de 1999 no Rio de Janeiro, segundo o site. Os franceses trabalhavam em comunidades carentes do Rio.
O site da ONG diz que "sua missão inscreve-se no quadro da luta da ONU contra a pobreza e para a educação...Trata-se de dar acesso, em prioridade, aos jovens e às mulheres desfavorecidas a um futuro mais seguro, a um ambiente digno, a melhores condições de vida, à educação e ao trabalho".
(Com reportagem adicional de Andrei Khalip)
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