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 Internacional

28/02/2007 - 11h36
Cansados da guerra, afegãos temem nova ofensiva

Por Saaed Al Achakzai

SPIN BOLDAK, Afeganistão (Reuters) - Preparando-se para uma ofensiva nos próximos meses, o Taliban anunciou na quarta-feira o envio de mil homens-bomba para o relativamente pacato norte do Afeganistão, um dia depois de um atentado suicida numa área que recebia a visita do vice-presidente dos EUA, Dick Cheney.

Os Estados Unidos e outros países da Otan estão enviando tropas para combater a ofensiva, prevista para começar em março, junto com a primavera boreal. Analistas dizem que este ano será essencial para ambas as partes, depois dos 12 meses mais sangrentos no país desde a queda do regime islâmico do Taliban, no final de 2001.

Pelo menos 23 pessoas, inclusive um soldado norte-americano e outro sul-coreano, morreram no atentado suicida de terça-feira contra a principal base dos EUA no Afeganistão, em Bagram (60 quilômetros ao norte de Cabul), uma área que registra pouca violência desde 2001.

"Reagimos em um curtíssimo prazo (à presença de Cheney) para atacar a base", disse na quarta-feira, falando à Reuters por telefone de um local secreto, o mulá Hayatullah Khan, comandante do Taliban.

"(Os militantes) teriam lançado um grande ataque guerrilheiro contra a base, pois o Taliban está preparado para qualquer sacrifício para matar uma pessoa importante e um grande infiel (como Cheney)," acrescentou.

Autoridades dos EUA dizem que Cheney não chegou a ser ameaçado pelo atentado, ocorrido junto aos limites do quartel. Logo depois da explosão, o vice-presidente teria sido levado para um abrigo contra bombas. Mais tarde, ele conversou com o presidente Hamid Karzai, antes de embarcar para Omã.

Khan repetiu alertas anteriores do Taliban de que os insurgentes teriam 2.000 homens-bomba preparados -- e outros mais sendo treinados. Desta vez, ele informou que mil foram enviados ao norte do Afeganistão, onde a violência é menor.

Mais de 4.000 pessoas morreram em confrontos no ano passado, a maioria no sul e no leste do país, redutos da milícia islâmica.

O Taliban diz que vai ampliar os atentados suicidas como parte de seu retorno à guerra de guerrilha. Em 2006, o grupo sofreu pesadas baixas em batalhas campais contra a Otan.

Os homens-bomba eram quase desconhecidos no Afeganistão até 2005, quando houve 21 atentados suicidas. Esse número saltou para 139 no ano passado, num sinal de que os rebeldes afegãos estão copiando táticas do Iraque.

O presidente dos EUA, George W. Bush, disse neste mês que esmagar o Taliban e restaurar a segurança no Afeganistão seriam tarefas vitais para a própria segurança norte-americana. Ele prometeu 3.200 soldados e bilhões de dólares a mais para a reconstrução do Afeganistão e as forças de segurança do país.

REUTERS CP

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