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28/03/2007 - 19h59
Gol compra Varig e pode ser líder do mercado este ano

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Menos de 1 ano após ter sido vendida em leilão por US$ 24 milhões, a nova Varig, ou a parte saudável da mais antiga companhia aérea brasileira, mudou de mãos nesta quarta-feira, ao ser comprada pela rival Gol em operação que pode atingir US$ 320 milhões (o equivalente a R$ 662 milhões).

  • Veja infográfico sobre a transação


  • O pagamento em dinheiro será de apenas US$ 98 milhões (R$ 203 milhões), o que representa menos de 10% do caixa da Gol, informou a companhia. Haverá também a entrega de 6,1 milhões de ações preferenciais emitidas pela Gol, ou 3% do seu capital, além de a empresa assumir obrigação de R$ 100 milhões em debêntures emitidas pela nova Varig.

    As duas empresas atuarão separadas no mercado, totalizando 20 milhões de passageiros por ano, mas juntas terão cerca de 45% do total transportado no país, encostando na líder de mercado, hoje com 50%, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

    Para o consultor Paulo Sampaio, da Multiplan, com os investimentos que a Gol fará na Varig, "em agosto ou setembro deste ano o grupo Gol será líder de mercado".

    O plano da Gol, divulgado nesta quarta-feira, prevê a frota da Varig subindo dos atuais 17 aviões para 34, sendo 20 Boeings 737 e 14 aeronaves 767, em cronograma a ser definido em breve. A Gol possui 66 aeronaves.

    A Varig terá vôos diretos entre os principais centros econômicos nacionais e mais de dez destinos internacionais: na Europa, Frankfurt, Londres, Madrid, Milão e Paris; na América do Norte, Miami, Nova York e Cidade do México; e na América do Sul, Buenos Aires, Santiago, Bogotá e Caracas. O programa de milhagem Smiles será mantido.

    Os aviões da Varig não contarão mais com primeira classe nos vôos internacionais, que terão serviços de classe econômica e executiva, segundo a Gol.

    "O mundo mudou e o conceito de luxo excessivo está superado, as pessoas em sua maioria querem conforto e praticidade", disse o presidente da Gol, Constantino Júnior, em um comunicado.

    Nesta quarta-feira, o principal executivo da Gol esteve reunido com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e outras autoridades, entre elas a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, uma das incentivadoras no negócio, segundo fontes, para anunciar a concretização da compra.

    A operação ainda será avaliada por órgãos reguladores.

    Nova decolagem
    Livre de dívidas relevantes e com preciosos "slots" (horários de pouso e decolagem nos aeroportos) para oferecer, a Varig continuará numa trajetória independente e agora com capital para competir nos mercados nacional e internacional, avaliaram analistas.

    A Gol, por sua vez, adquiriu um ativo que já cobiçava, mas que por conta de insegurança do ponto de vista trabalhista temia assumir. O preço acertado, considerado alto em relação ao valor pago pela Varig em leilão no ano passado, levou em conta o novo perfil da empresa e as perspectivas de crescimento, segundo Sampaio, da Multiplan.

    "O Matlin Patterson (fundo estrangeiro que tinha participação na Varig) é uma empresa abutre, especialista em comprar empresas com dificuldades e sanear, e conseguiu fazer isso com a Varig. Fez um bom trabalho de limpeza que proporcionou agora a venda para a Gol", avaliou.

    As ações da Gol e da antiga Varig, que tem participação na empresa alienada, subiram com rumores sobre a venda desde o início do pregão na Bolsa de Valores de São Paulo na quarta-feira.

    Os papéis da Gol encerraram o dia em alta de 4,17% o e os da Varig com valorização de 10,28%, enquanto os da rival TAM caíram 2,18%. O índice Bovespa recuou 1,6%.

    "Para o acionista da Gol não faz muita diferença, porque as empresas ficarão separadas, mas ele passa a fazer parte de um grupo que será o maior operador doméstico e terá presença forte na área internacional", afirmou o consultor da Multiplan.

    Já o analista Luis de León, do Banif Investment Banking, baseado no México, disse que um fato importante é o fechamento da porta do Brasil para a LAN Chile, que pretendia adquirir uma fatia da Varig e para isso havia antecipado US$ 17 milhões (R$ 35 milhões) à empresa brasileira.

    "Foi um movimento muito inteligente por parte da Gol, mas agora tudo o que vier de crescimento internacional virá pela Varig, não diretamente pela Gol", observou.

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