Por Sahal Abdulle
MOGADÍSCIO (Reuters) - Os recentes combates das forças etíopes e somalis contra insurgentes já mataram 381 civis e feriram outros 565, segundo dados divulgados na terça-feira por uma ONG local, a Organização Elman de Paz e Direitos Humanos.
É a primeira contagem abrangente das vítimas desses combates, que as agências de ajuda estão chamando de os piores na capital somali em 15 anos. Mas o presidente da Elman, Sudan Ali Ahmed, disse à Reuters que a cifra ainda vai subir. "Ainda há alguns feridos e também cadáveres deixados nas suas casas, aonde ninguém pode ir", afirmou.
Os confrontos ocorreram entre quinta-feira e domingo passados, até ser negociada uma trégua. Jornalistas viram dezenas de corpos de soldados, e a Etiópia diz ter matado 200 insurgentes em sua ofensiva contra rebeldes foragidos em áreas residenciais.
Na terça-feira, segundo dia da trégua em vigor, anciões dos clãs somalis devem se reunir com comandantes etíopes. No Cairo, diplomatas dos Estados Unidos, da África e da Europa também se encontram para pressionar as partes em guerra a negociarem e se reconciliarem.
Após ferozes batalhas que destruíram bairros inteiros, a trégua trouxe algum alívio a Mogadíscio, uma cidade litorânea com 1 milhão de habitantes, dos quais 50 mil fugiram nos últimos dez dias, segundo a ONU.
Rebeldes ligados a clãs e grupos islâmicos continuam entrincheirados atrás de sacos de areia e nos becos da capital. Soldados etíopes e somalis os observam de posições próximas, segundo testemunhas.
"As coisas estão calmas de novo nesta manhã, mas os combates podem começar outra vez a qualquer momento, está tenso", disse uma testemunha da Reuters, monitorando a cidade a partir de seu telhado.
Líderes do clã Hawiye, dominante na cidade, estavam reunidos na manhã de terça-feira, para em seguida encontrarem os comandantes etíopes que estão na Somália dando apoio ao governo interino do país.
As tropas etíopes invadiram a Somália no final do ano passado para expulsar militantes islâmicos que haviam passado seis meses controlando o sul do país e a capital. Eles permitiram que o presidente Abdullahi Yusuf finalmente se instalasse na capital, consolidando assim o 14o governo do caótico país africano desde a deposição do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991.
Os militantes islâmicos, que negam as acusações etíopes e norte-americanas de ligação com a Al Qaeda, inicialmente se espalharam, mas depois se reagruparam e agora voltaram a seus redutos em Mogadíscio.
Uma pequena força da União Africana, com cerca de 1.200 soldados ugandenses, mostra-se incapaz de conter a violência. Muitos acreditam na verdade que esse contingente incitou os insurgentes, por servir como um alvo "estrangeiro" altamente visível.
(Reportagem adicional de Andrew Cawthorne em Nairóbi)
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