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26/04/2007 - 09h47

Mogadíscio tem combates, mas premiê somali vê avanços

Por Sahal Abdulle

MOGADÍSCIO (Reuters) - Tanques etíopes que apóiam o governo interino da Somália bombardearam posições dos insurgentes na quinta-feira em Mogadíscio, mas o primeiro-ministro local disse que "a maior parte dos combates" acabou com a ocupação de várias áreas hostis.

Ali Mohamed Gedi afirmou que, no nono dia de combates, as tropas do governo e seus aliados etíopes ainda se empenham em esvaziar "bolsões de resistência." Moradores dizem que os confrontos mataram cerca de 300 pessoas, a maioria civis.

"A maior parte dos combates em Mogadíscio agora acabou. O governo capturou muitos territórios onde havia insurgentes", disse Gedi em entrevista coletiva, enquanto na zona norte da capital ainda era possível ouvir tiros e rajadas de metralhadoras.

O premiê fez um apelo específico para milícias de clãs que tenham aderido à militância islâmica para que voltem a suas casas e aguardem sua incorporação ao Exército nacional.

Os confrontos devastaram vários bairros de Mogadíscio, levando cerca de metade de seus moradores a fugirem. O Acnur (agência da ONU para refugiados) disse na quarta-feira que a capital à beira-mar está virando uma "cidade fantasma" devido à fuga de quase 340 mil pessoas.

Os que ficaram relataram na quinta-feira os piores combates até o momento. "Estamos sob fortes disparos de artilharia e tanques. Os etíopes estão usando todas as forças e materiais que têm", afirmou um combatente do clã Hawiye, que domina a capital. "Este é o ataque mais pesado que vimos desde que a guerra começou."

Ele se refere à invasão etíope, no final de dezembro, que expulsou os militantes islâmicos que dominavam a capital e permitiu a instalação de um governo provisório. Numa fase anterior dos combates, no fim de março, mais de mil pessoas morreram.

O governo interino diz que não haverá trégua enquanto existir a insurgência que desafia a instalação de um governo central no país do nordeste africano, algo que não existe há 16 anos.

Médicos de uma maternidade e hospital pediátrico disseram na quinta-feira estar recebendo feridos recusados nos dois principais hospitais da cidade.

"Temos os médicos, mas não temos material médico e remédios. Esperamos receber suprimentos médicos da Cruz Vermelha em breve", disse Abdulahi Hashi Kadiye, subdiretor do Hospital Banadir, à Reuters.

O incessante bombardeio também provocou um incêndio em depósitos de tintas e materiais de construção, provocando uma espessa fumaça, segundo uma testemunha.

Analistas dizem que a cristã Etiópia tem aprovação tácita dos EUA para sua intervenção na islâmica Somália. Washington acusa os combatentes islâmicos do país de serem ligados à Al Qaeda, mas oficialmente defende um cessar-fogo e manifesta preocupação com a situação humanitária.

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