Por Jeffrey Heller
JERUSALÉM (Reuters) - A comissão israelense de inquérito sobre a guerra do Líbano teceu críticas contundentes ao primeiro-ministro Ehud Olmert num relatório interino divulgado na segunda-feira que lançou dúvidas sobre o futuro político do líder impopular.
De acordo com um trecho do relatório lido em canais de TV israelenses, a comissão Winograd, criada pelo governo, concluiu que Olmert não contava com um "plano bem processado" quando lançou a campanha aérea, terrestre e marítima de julho passado, depois de guerrilheiros do Hizbollah terem sequestrado dois soldados numa incursão em território de Israel.
A comissão criticou o que qualificou como falhas graves de julgamento de Olmert ao partir para a guerra. Quando o presidente da comissão fez uma declaração sobre o relatório numa coletiva de imprensa, não ficou imediatamente claro se o relatório inclui uma recomendação de renúncia de Olmert.
Em declarações transmitidas ao receber uma cópia das conclusões da comissão, Olmert disse: "Vamos estudar o material ... e assegurar que, em qualquer cenário futuro de ameaça contra Israel, as dificuldades e falhas citadas sejam corrigidas".
Olmert disse que o conflito, que durou 34 dias, melhorou a segurança de Israel, por afastar o Hezbollah, apoiado pelo Irã e a Síria, de seus redutos na fronteira e fortalecer uma força de manutenção de paz da ONU no sul do Líbano.
Assessores de Olmert disseram, antes da divulgação do relatório interino, que o premiê não tem intenção de renunciar e vai lutar por sua sobrevivência política.
Sondagens de opinião indicam que seu índice de aprovação caiu para menos de 10 por cento depois da guerra inconclusiva, e o diálogo lançado pelos EUA entre Olmert e o presidente palestino moderado Mahmoud Abbas vem mostrando poucos resultados.
O Hezbollah disparou 4.000 foguetes contra Israel durante os combates, obrigando 1 milhão de israelenses a refugiar-se em abrigos, o que representou um golpe para a força militar mais poderosa do Oriente Médio. Israel enviou aviões de guerra para bombardear o sul de Beirute, uma região que é reduto do Hezbollah.
Formada por dois juristas, dois generais da reserva e um especialista em política pública, a comissão não pediu em seu relatório a renúncia de Olmert ou seu ministro da Defesa, Amir Peretz, que também foi fortemente criticado.
Mas parece provável que aumente a pressão pública exercida sobre Olmert, líder do partido centrista Kadima, e Peretz, líder do Partido Trabalhista de centro-esquerda, para que renunciem.
Está sendo planejada para quinta-feira em Tel Aviv uma manifestação pedindo a renúncia de Olmert e seu governo. O ato público está sendo organizado por um general aposentado, reservistas militares que combateram na guerra e pais de soldados mortos no conflito.
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