Em reunião do Conselho Político na manhã desta quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Justiça Tarso Genro ouviram duras críticas dos líderes e presidentes de partidos da coalizão, sobre o procedimento da Polícia Federal na chamada Operação Navalha.
Segundo relato do ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, os políticos queixaram-se especialmente do vazamento de informações sob segredo de Justiça e de prisões sem justificativa.
"O presidente Lula pediu que os excessos sejam apurados", disse Mares Guia a jornalistas.
"O ministro Tarso Genro reconheceu que houve excessos, mas ressaltou a importância das operações".
Alguns líderes chegaram a dizer que o clima de suspeição criado pelos vazamentos ilegais provocavam um abalo na coalizão, apesar de não comprometê-la, segundo relatou o líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO). A líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), foi a primeira a se queixar dos excessos da Operação Navalha, logo após Tarso Genro fazer um relato da investigação da PF.
| O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto, apoiou as declarações dadas ontem à noite pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, que acusou a Polícia Federal de agir com métodos "fascistas" na Operação Navalha --que desarticulou uma suposta quadrilha que fraudava licitações para realização de obras públicas. Para Britto, esse Estado policial representa um perigo à democracia. "Tenho alertado freqüentemente para o risco que significa o avanço desse Estado policial para o Estado democrático de direito", disse o presidente da OAB. Leia mais |
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| OAB APÓIA MINISTRO |
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De acordo com parlamentares que estiveram no encontro, o clima de parte da reunião foi tenso e o líder do governo na Câmara, Deputado José Múcio (PTB-PE) chegou a questionar o ministro da Justiça diretamente.
"Todos nós estamos grampeados", perguntou Múcio.
"Eu não posso dizer nem que eu não esteja sendo", teria respondido Tarso, segundo contou Valdir Raupp.
O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), leu o artigo primeiro da Constituição para dizer em seguida que as garantias individuais estão sendo violadas, conforme relatou o ministro Mares Guia.
Segundo o ministro, dos 20 líderes e presidentes que falaram na reunião, oito queixaram-se da Polícia Federal.