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 Internacional

25/05/2007 - 20h25
Documentos em 2003 alertaram EUA de efeitos de guerra do Iraque

Por Susan Cornwell

WASHINGTON (Reuters) - Agências de inteligência dos EUA alertaram o governo Bush antes da guerra do Iraque que a Al Qaeda e o Irã poderiam explorar uma invasão norte-americana para ampliar sua influência na região, segundo um novo relatório divulgado na sexta-feira pela Comissão de Inteligência do Senado

Parlamentares democratas viram nisso um claro sinal de que o presidente George W. Bush, um republicano, e seus assessores ignoraram os alertas sobre o caos que poderia se seguir a uma invasão.

"O relatório de hoje mostra que a comunidade de inteligência deu ao governo muitos alertas sobre as dificuldades que enfrentaríamos se a decisão tomada fosse a de ir à guerra", disse o senador democrata John Rockefeller, presidente da comissão.

O líder republicano na comissão, Christopher Bond, disse que o relatório olha para trás de forma muito seletiva, e por isso contestou suas conclusões.

Os EUA invadiram o Iraque em março de 2003. Em janeiro daquele ano, segundo o relatório do Senado, a comunidade de inteligência já previa que a Al Qaeda "provavelmente tentaria explorar qualquer transição pós-guerra no Iraque replicando as táticas que usou no Afeganistão durante o último ano [2002] para montar operações de ataque e fuga contra pessoal dos EUA."

"Alguns militantes islâmicos no Iraque podem se beneficiar dos aumentos no financiamento e no apoio popular, e podem escolher conduzir ataques terroristas contra forças dos EUA no Iraque", concluíam as agências de inteligência.

De acordo com os documentos de 2003, "alguns elementos no governo iraniano podem decidir tentar conter agressivamente a presença dos EUA no Iraque."

Os documentos, que segundo o relatório circularam amplamente no governo, também alertavam para "uma chance significativa de que grupos domésticos [iraquianos] se envolvam em conflitos violentos mutuamente."

A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, tradicional adversária da guerra, disse que o relatório do Senado não surpreende, porque Bush, segundo ela, ignorava sistematicamente os alertas de inteligência.

"O presidente Bush quis ir à guerra no Iraque da pior forma possível, e assim fez", disse ela a jornalistas.

Questionado na véspera em entrevista coletiva sobre os documentos que o Senado liberaria, Bush defendeu sua decisão de invadir o Iraque.

"Indo ao Iraque fomos alertados sobre muitas coisas, algumas das quais aconteceram, outras não. Obviamente, ao tomar uma decisão com tais consequências, pesei os riscos e recompensas de qualquer decisão. Acredito firmemente que o mundo está melhor sem Saddam Hussein no poder."

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