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07/08/2007 - 18h22
Polícia Federal prende um dos maiores traficantes do mundo

SÃO PAULO (Reuters) - Um dos maiores traficantes de drogas do mundo, o colombiano Juan Carlos Ramírez-Abadía, foi preso na manhã desta terça-feira em um condomínio fechado em Aldeia da Serra, município de Barueri na Grande São Paulo.

"Esse criminoso hoje equivale ao substituto do Pablo Escobar no tráfico internacional de drogas", disse o superintendente da PF em São Paulo, Jaber Saad, numa referência a um dos traficantes mais famosos do mundo, morto em 1993.

"Ele (Abadía) ocupou a lacuna deixada pelo criminoso (Escobar) e se utiliza inclusive da mesma rede que o Escobar usava."

Abadía é acusado de 15 homicídios nos Estados Unidos, incluindo o de policiais. Na Colômbia, ele é apontado como mandante de mais de 300 assassinatos.

Além disso, segundo dados das polícias brasileira e norte-americana, o traficante tinha um esquema próprio de distribuição de entorpecentes, pelo qual enviou mais de 1.000 toneladas de cocaína para os Estados Unidos nos últimos dez anos.

Isso fez de Abadía, também conhecido como "Chupeta", um dos traficantes mais procurados do mundo pela agência antidrogas dos Estados Unidos, a DEA, que oferecia recompensa de até 5 milhões de dólares por informações que levassem à sua captura.

Saad disse que a polícia investigava e sabia da presença de Abadía no país há três anos e decidiu deflagrar a operação para prendê-lo, realizada em conjunto com o DEA e as polícias da Espanha e do Uruguai, após receber informações de que o traficante colombiano pretendia deixar o Brasil.

Na mansão em que Abadía foi preso, em Aldeia da Serra, a PF também apreendeu dinheiro vivo que ainda não foi contado pelos policiais. Até o momento, 544 mil dólares, 150 mil euros e 55 mil reais já foram contabilizados.

Os policiais também apreenderam no local 150 telefones celulares e uma coleção de relógios caros.

A operação que resultou na prisão de Abadía, batizada de Farrapos e realizada em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, também teve como alvo um "esquema criminoso em que traficantes colombianos transportavam grande quantidade de entorpecente para a Europa e EUA".

Em comunicado, a PF informou ainda que o lucro do tráfico retornava ao Brasil, saindo da Espanha e do México, transitando também pelo Uruguai.

Ainda de acordo com a polícia, a organização lavava dinheiro por meio de "investimentos no ramo imobiliário (hotéis e mansões), industrial e na aquisição de veículos".

Os Estados Unidos entraram com um pedido de extradição de Abadia junto ao Supremo Tribunal Federal no dia 2 de agosto. O ministro Eros Grau foi indicado como relator do pedido.

Segundo uma fonte da PF, o criminoso deve ser extraditado para os Estados Unidos e a recompensa de 5 milhões de dólares deve ser repassada ao governo federal brasileiro.

COLÔMBIA COMEMORA

A prisão de Abadía em território brasileiro, foi comemorada por autoridades colombianas em Bogotá nesta terça-feira. "Ele tinha feito muitas cirurgias plásticas para esconder-se melhor. A mensagem importante é que por mais poderosos e ricos que sejam, caem", disse o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos.

O Departamento de Estado norte-americano estima que a fortuna de Abadía possa chegar a 1,8 bilhão de dólares, mas o criminoso poderia estar endividado com diversos traficantes.

O ministro colombiano afirmou que Abadía era dono de esconderijos que foram descobertos no começo deste ano em casas e apartamentos na cidade de Cali, onde foram encontrados mais de 80 milhões de dólares em espécie.

Segundo as autoridades colombianas, Abadía se entregou em meados da década de 1990 e, depois de confessar os crimes e cumprir 5 anos de prisão, recuperou a liberdade e voltou ao mundo do tráfico de drogas.

Segundo a polícia, Abadía, que tem 44 anos e passou por três cirurgias plásticas nos últimos dois anos, é sócio de Diego León Montoya Sánchez, que está em quarto lugar na lista dos mais procurados do FBI.

(Por Guilherme Vieira e Carolina Schwartz; reportagem adicional de Raymond Colitt, em Brasília, e Luis Jaime Acosta, em Bogotá)

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