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 Internacional

12/08/2007 - 16h16
Arruinada pela guerra, Serra Leoa apura votação, espera mudanças

Por Daniel Flynn e Katrina Manson

FREETOWN (Reuters) - Serra Leoa apura neste domingo os votos de sua primeira eleição desde que as tropas de paz da Organização das Nações Unidas deixaram o país há dois anos, em uma votação que a população espera irá acelerar a recuperação do país após 11 anos de guerra civil.

Nas ruas dilapidadas da capital Freetown, os leoneses desesperados por mudanças se reuniam ao redor de rádios em lojas e quiosques para ouvir os resultados parciais da eleição presidencial e parlamentar realizada no sábado.

Os eleitores compareceram em massa às urnas, no que foi considerado um teste da estabilidade do país, cinco anos após o fim dos conflitos intensificados por diamantes e a mutilação de civis, algumas vezes por crianças drogadas que agiam como soldados.

Com cerca de 5 por cento dos votos apurados, resultados não-confirmados mostravam Ernest Bai Koroma, do partido da oposição Congresso de Todo o Povo (APC, na sigla em inglês), com vantagem confortável em Freetown e no norte da ex-colônia britânica, que possui cerca de metade dos 2,6 milhões de eleitores do país.

O candidato do partido no poder, Partido do Povo de Serra Leoa (SLPP), o vice-presidente Soloman Berewa, de 69 anos, tem forte apoio nos redutos tradicionais do partido no sul do país.

Se nenhum dos candidatos obtiver mais de 55 por cento dos votos, um segundo turno será realizado em setembro.

"Aparentemente nós vamos ter um segundo turno. SLPP não está em vantagem no norte, mesmo na cidade natal do vice-presidente candidato", disse Ransford Wright, coordenador da Rede de Rádio Independente.

A Serra Leoa é a penúltima colocada na Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Com mais de 60 por cento de desemprego, a maioria das pessoas sobrevive com menos de um dólar por dia.

"A guerra desestabilizou tudo. Nós precisamos de liberdade, comida, água, eletricidade e empregos", disse Mohamed Ba, enquanto ouvia os resultados da apuração. "Mas eu não confio nos políticos."

O presidente Tejan Kabbah, reeleito em uma onda de euforia pós-guerra em 2002, está deixando o cargo em meio a denúncias de corrupção, que muitos acreditam estar drenando a ajuda estrangeira.

O país recebeu mais de 1,6 bilhão de dólares em ajuda internacional no ano passado.

Observadores internacionais declararam sucesso na realização das eleições. A votação de sábado foi pacífica, com apenas pequenos incidentes em Freetown.

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