Por Linda Sieg
TÓQUIO (Reuters) - O Japão precisa melhorar o relacionamento com a China, disse neste domingo o favorito ao cargo de primeiro-ministro japonês, ao mesmo tempo em que pediu para Pequim explicar melhor o grande aumento em gastos nucleares.
Yasuo Fukuda, 71, defensor de uma política exterior menos centrada nos Estados Unidos, deverá vencer o ex-ministro do Exterior Taro Aso na disputa pela liderança do Partido Democrático Liberal, iniciada depois da decisão repentina de Shinzo Abe de renunciar ao cargo, na semana passada.
"A aliança Estados Unidos-Japão é a base e precisamos dar peso a ela. Mas se houver deficiências em outras áreas, temos que arrumá-las", disse Fukuda à emissora pública NHK.
"O primeiro-ministro Abe visitou a China e a Coréia do Sul e as relações melhoraram. Temos que reforçar ainda mais esta tendência."
Fukuda reiterou que não visitará o templo Yasukuni, em Tóquio, considerado por muitos países asiáticos como símbolo do passado militarista do Japão, se for escolhido como novo líder da nação.
As relações entre China e Japão esfriaram no governo de Junichiro Koizumi, antecessor de Abe, em grande parte devido às visitas ao templo, mas melhoraram depois da viagem de Abe a Pequim, em outubro.
O discurso de Fukuda teve tom crítico em relação à proposta de Abe de uma aliança mais ampla de democracias na Ásia, que incluiria Índia, EUA e Austrália, mas não a Chnia.
"A China está fazendo esforços na direção de uma economia livre, então se dissermos que devem mudar completamente seu sistema, isso pareceria uma rejeição a estes esforços", disse Fukuda ao canal Asahi TV.
Mas ele também pediu à China para dar mais transparência aos crescentes gastos militares.
"A China tem a responsabilidade de explicar...e receber compreensão", disse.
(Reportagem adicional de Yoko Kubota)
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