Por Augustine Anthony
ISLAMABAD, Paquistão (Reuters) - O Paquistão começou, na segunda-feira, a contar os votos de uma eleição que transcorreu de forma muito mais tranquila do que se esperava, apesar de o resultado poder instalar um Parlamento inclinado a tirar o presidente Pervez Musharraf, um aliado dos EUA, do comando do país.
Após votar na cidade de Rawalpindi, Musharraf, ex-chefe das Forças Armadas, defendeu a realização de esforços de reconciliação. Na mesma cidade, no dia 27 de dezembro, a líder oposicionista e ex-primeira-ministra Benazir Bhutto foi assassinada.
A votação para escolher uma nova Assembléia Nacional e assembléias de Província deveria ter sido realizada no começo do mês passado, mas acabou sendo adiada devido à morte de Bhutto.
Os locais de votação fecharam às 17h (10h em Brasília). Os resultados devem começar a ser divulgados por volta da meia-noite e, já na terça-feira de manhã, será possível ter uma idéia sobre as tendências predominantes.
O assassinato de Bhutto, a mais progressista e pró-Ocidente política de um país muçulmano marcado por sentimentos anti-EUA, alimentou dúvidas sobre a estabilidade interna do Paquistão, que possui um arsenal nuclear.
Mais de 450 pessoas morreram neste ano, no país, em incidentes de violência relacionados com a atividade de militantes.
O temor de novos episódios violentos manteve muitos paquistaneses afastados dos locais de votação, apesar da presença de 80 mil soldados nas ruas, dando apoio à polícia.
Mohammad Farooq, uma autoridade do setor eleitoral, estimou que 35 por cento do eleitorado compareceram às urnas no local de votação pelo qual é responsável, em Rawalpindi.
"Levando-se em conta a questão da falta de segurança, essa é uma cifra boa", afirmou. Quase 81 milhões de pessoas estavam aptas a votar na eleição.
Uma autoridade dos serviços de inteligência disse que 11 pessoas foram mortas, sete delas na Província de Punjab, e 70 ficaram feridas em episódios violentos ocorridos após o início da votação.
Musharraf, que subiu ao poder por meio de um golpe militar em 1999, prometeu trabalhar com os vencedores do pleito para fortalecer a democracia em um país que se viu governado, alternadamente, por regimes militares e civis ao longo de seus 60 anos de história.
"Independentemente de quem vença, de quem seja o primeiro-ministro, cooperarei totalmente com ele na qualidade de presidente", afirmou.
Prevê-se que o Partido do Povo Paquistanês (PPP), de Bhutto, torne-se o maior da nova assembléia, também por causa da onda de empatia gerada pela morte dela.
Mas a maior parte dos analistas duvida que a legenda elegerá uma bancada majoritária.
O viúvo de Bhutto, Asif Ali Zardari, co-presidente do PPP, fez um apelo de tom conciliador antes da votação.
(Reportagem adicional de Zeeshan Haider em Islamabad, Kamran Haider e Jon Hemming em Lahore, Sahar Ahmed em Karachi e Simon Gardner em Larkana)
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