Por Adrian Croft
LONDRES (Reuters) - O órgão que supervisiona o setor de informações na Grã-Bretanha mandou na terça-feira que o governo do país divulgue a gravação das discussões mantidas pelo gabinete do governo, em março de 2003, a respeito das justificativas jurídicas para invadir o Iraque.
A divulgação desses documentos pode se mostrar embaraçosa para o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, cujo antecessor, Tony Blair, foi acusado de ignorar os argumentos jurídicos que desaconselhavam iniciar uma guerra contra o Iraque, então comandado por Saddam Hussein.
Blair foi o maior aliado do presidente dos EUA, George W. Bush, na guerra, iniciada em 20 de março de 2003.
"O interesse público na divulgação das gravações neste caso em particular supera o interesse público na retenção das informações", afirmou em um comunicado o gabinete do comissário britânico da Informação, Richard Thomas, que decide sobre disputas em trono da Lei de Liberdade de Informação.
Thomas tomou essa decisão ao manifestar-se sobre o pedido feito por um membro não identificado da população para que o governo divulgasse as gravações confidenciais de duas reuniões de gabinete ocorridas entre 7 de março e 17 de março de 2003, dias antes do início do conflito.
Nesses encontros, discutiu-se o parecer jurídico do então procurador-geral do país, Lorde Goldsmith, sobre a invasão do Iraque.
Em 2005, a TV Channel Four divulgou o suposto conteúdo do parecer secreto de Goldsmith, de 7 de março de 2003, no qual o jurista afirma que "a Justiça pode concluir" que as resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) não autorizam a guerra sem que outra resolução seja aprovada.
Apenas dez dias mais tarde, após Blair não ter conseguido obter uma nova resolução do Conselho de Segurança, Goldsmith apresentou ao gabinete de governo um "resumo" de uma página de seu parecer afirmando que a guerra era legal, sem sombra de dúvidas.
O governo recusou-se a divulgar a gravação daquelas conversas, afirmando que não estavam sujeitas à Lei de Liberdade de Informação porque se referiam "à formulação de políticas governamentais e de comunicações ministeriais", afirmou o gabinete de Thomas.
Thomas considerou esses argumentos inválidos, afirmando que a divulgação das informações permitiria à opinião pública compreender melhor as decisões do governo a respeito da guerra no Iraque.
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