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14/03/2008 - 10h33
Iranianos votam para o Parlamento; conservadores são favoritos

Por Zahra Hosseinian

TEERÃ (Reuters) - Os iranianos votaram na sexta-feira para escolher um novo Parlamento, no qual os conservadores devem manter maioria, já que muitos reformistas foram impedidos de concorrer.

Mas isso não significa necessariamente comodidade para o presidente Mahmoud Ahmadinejad, pois entre os conservadores há também críticos de sua política econômica e candidatos de olho nas eleições presidenciais de 2009.

Os reformistas (que defendem mais liberdades políticas e sociais dentro do regime islâmico) esperavam aproveitar a insatisfação da população com a inflação, que atinge 19 por cento ao ano.

Mas esbarraram nas restrições de um órgão não-eletivo, o Conselho dos Guardiões, e na repressão do governo a dissidentes. Os reformistas devem ter dificuldades para manter suas cerca de 40 cadeiras entre as 290 do Parlamento.

O líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, votou assim que as urnas abriram, às 8h (1h30 em Brasília), e pediu aos iranianos que fizessem o mesmo. O aiatolá, que tem a palavra final sobre as principais questões de Estado, não esconde seu apoio ao governo de Ahmadinejad.

Apesar da atual disputa nuclear entre o Irã e o Ocidente, é o preço dos alimentos, e não a política externa, que mais preocupa os iranianos.

"Espero que desta vez façam um trabalho melhor e dediquem mais atenção à economia, ao problema habitacional e à inflação", disse Soraya Tavasoli, uma mulher de meia-idade que vota nos conservadores.

Outros se sentem desestimulados a votar. "O resultado está claro -- os seguidores de Ahmadinejad vão ganhar outra vez, então por que vou me dar ao trabalho?", disse uma dona-de-casa que se identificou apenas como Farnak, de 25 anos, durante compras em Teerã.

O pleito serve como indicativo das chances de reeleição de Ahmadinejad, embora isso dependa mais de ele manter o apoio de Khamenei e de outras instâncias do regime.

O presidente também conta o apoio de eleitores como Hassan Siavashi, 45 anos, que esperava para votar numa seção eleitoral na zona norte de Teerã. "Votar é meu dever religioso. Rezo para que Deus ajude o grupo de Ahmadinejad a vencer", afirmou.

Reformistas alegam que a votação é injusta, porque o Conselho Guardião (um órgão que avalia o compromisso dos candidatos com o Islã e o regime clerical) proibiu muitas candidaturas.

Mesmo assim, a oposição a Ahmadinejad conclamou os 44 milhões de eleitores a irem às urnas para impedir que os conservadores tenham uma vitória fácil.

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