Por Parisa Hafezi
TEERÃ (Reuters) - Alguns dos maiores adversários do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, criticaram na segunda-feira a contagem de votos nas eleições parlamentares do país, por meio da qual os conservadores mantiveram o controle sobre o órgão Legislativo, afirmou uma agência de notícias.
Os resultados finais da votação de sexta-feira ainda precisam ser anunciados, mas o Ministério do Interior disse que os conservadores, que se autodenominam "principialistas" devido a sua lealdade aos valores da República Islâmica, ficaram com 74 por cento das cadeiras para as quais já foram estabelecidos os vencedores.
O Parlamento possui 290 membros.
"Temos reclamações sobre o método de contagem dos votos", afirmou o porta-voz do partido Confiança Nacional (reformista), Esmail Gerami-Moghaddam, à agência de notícias iraniana Isna.
"Queremos que o Ministério do Interior anuncie em seu site o resultado da contagem dos votos para cada local de votação", disse.
Mohammad Hossein Mousapour, vice-chefe da seção do ministério responsável pela eleição, afirmou em uma entrevista coletiva que todas as reclamações sobre os procedimentos seriam investigadas, mas acrescentou que, até agora, o volume de queixas tem sido menor do que nos pleitos anteriores.
"A eleição parlamentar mostrou-se única e sem precedentes quanto à ausência de irregularidades nas votações", afirmou.
Os conservadores dominarão novamente a assembléia do país, mas isso não significa que Ahmadinejad terá um futuro tranquilo porque esse bloco é amplo e inclui rivais políticos propensos a usar o Parlamento como base de lançamento para candidaturas na corrida presidencial de 2009.
Segundo um analista, a base de apoio a Ahmadinejad no Parlamento pode ter encolhido para cerca de um quarto das cadeiras, contra dois terços no Parlamento atual. A falta de partidos disciplinados no Irã torna difícil estabelecer com precisão tais cifras.
A votação não deve afetar as políticas nuclear, externa ou petrolífera iranianas, que são determinadas em última instância pelo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, segundo prevê o sistema de governo clerical do país.
Muitos reformistas, que tentam realizar mudanças políticas e sociais no Irã, foram impedidos de participar da disputa eleitoral por meio de um procedimento pré-votação que, segundo denunciaram, favoreceu os conservadores.
O Conselho de Guardiões, controlado pelos conservadores e composto por juristas e clérigos, ficou encarregado de verificar se os pré-candidatos estavam comprometidos com os ideais da República Islâmica. O órgão afirma ter agido de maneira imparcial.
O canal Press TV, ligado ao governo iraniano, afirmou no domingo que os conservadores tinham conquistado 163 cadeiras, contra 40 para os reformistas --o que daria à oposição uma base semelhante àquela com que conta no atual Parlamento.
(Reportagem adicional de Hossein Jaseb)
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