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 Internacional

18/03/2008 - 12h00
Um quinto dos iraquianos é refugiado ou desabrigado, diz agência

Por Robert Evans

GENEBRA, Suíça (Reuters) - Quase um de cada cinco integrantes da população iraquiana de cinco anos atrás, antes da invasão liderada pelos EUA, vive hoje como refugiado no exterior ou perdeu sua casa dentro do próprio país, afirmou uma agência internacional de ajuda humanitária na terça-feira.

A Organização Internacional para Migrações (IOM) disse que 2,7 milhões de desabrigados internos aumentam as pressões sobre os já fragilizados serviços básicos do Iraque, e que falta verbas para atendê-los.

A situação dos 2,4 milhões de refugiados no exterior, que estão em sua maioria na Síria e na Jordânia, também se deteriora, afirmou a IOM, um órgão independente que coopera com a Organização das Nações Unidas (ONU) e suas agências humanitárias.

"Há muito pouca luz no fim do túnel da crise humanitária do Iraque", disse Jemini Pandya, porta-voz da IOM, em uma entrevista coletiva. "As condições de vida dos desabrigados e dos refugiados têm piorado continuamente."

Antes da intervenção de 2003, que derrubou do poder Saddam Hussein, a população do Iraque somava cerca de 27 milhões de pessoas.

Um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) divulgado na terça-feira disse que, em 2007, dobrou em relação ao ano anterior -- para cerca de 45.200 -- o número de pedidos de asilo em países industrializados.

Segundo a IOM, os refugiados e os desabrigados internamente -- estes conhecidos em geral pela sigla IDP -- que regressam ao Iraque ou a suas casas respondem por cerca de somente 1 por cento do total.

E muitos dos que regressam não voltam para suas casas porque essas foram ocupadas por outras pessoas -- normalmente integrantes de um outro grupo religioso -- ou foram destruídas.

Apesar de ter havido um grande número de refugiados internos durante o governo de Saddam, a invasão de 2003 expulsou de suas casas dezenas de milhares mais, afirmou a IOM.

Esse número elevou-se acentuadamente em 2006 como resultado de um recrudescimento da violência sectária, atingindo um pico de 60 mil por mês.

Alguns dos governos de Província do Iraque, incapazes de absorver a massa de novos desabrigados, fecharam suas fronteiras para os IDPs. Já os países vizinhos limitavam a entrada de refugiados iraquianos por meio de restrições na concessão de vistos.

"Muitos IDPs vivem em abrigos inadequados ou superlotados já que, em sua grande maioria, não possuem nenhuma fonte de renda para pagar por aluguéis cada vez mais altos", afirmou o comunicado.

Mais de 75 por cento deles não possuem acesso às rações do governo e quase 20 por cento carecem de acesso a água tratada.

Cerca de 33 por cento não conseguem obter os remédios de que precisam e somente 20 por cento recebem ajuda de agências humanitárias.

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