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14/04/2008 - 12h46
Berlusconi lidera eleições na Itália, segundo projeções
Stephen Brown Em Roma
Projeções feitas com base em resultados iniciais da votação italiana davam ao empresário Silvio Berlusconi, na segunda-feira, a liderança nas eleições parlamentares.
Uma projeção feita pela tevê estatal RAI dava ao bloco de Berlusconi 44,9% dos votos no Senado, contra 38,2% para o líder de centro-esquerda Walter Veltroni, uma margem mais ampla do que a indicada por pesquisas de boca-de-urna.
As pesquisas italianas de boca-de-urna nem sempre são confiáveis. Em uma delas, realizada para a Sky TV depois do fechamento das urnas, o político conservador obtinha uma vantagem de 2 pontos percentuais sobre seu rival Veltroni, na Câmara Baixa do Parlamento e de 3 pontos percentuais no Senado.
Em uma outra pesquisa realizada para a TV estatal do país, o empresário também aparecia à frente nas duas câmaras. Ambas as enquetes possuem uma margem de erro de 2 pontos percentuais.
Segundo analistas de política, esses resultados significariam que Berlusconi, uma vez no poder, teria atrás de si um governo frágil ou mesmo um Parlamento dividido caso Veltroni conseguisse assumir o controle do Senado. O direitista tenta tornar-se primeiro-ministro pela terceira vez.
"No momento, estamos prevendo um Parlamento dividido, uma maioria incapaz de funcionar bem", afirmou o professor de política James Walston, da Universidade Americana em Roma.
Berlusconi prometeu diminuir o déficit público da Itália, pôr em ordem o sistema fiscal e diminuir o controle do Estado sobre o altamente regulamentado setor de serviços. Mas muitos italianos temem que a instabilidade política impeça o próximo governo de recuperar a economia, atualmente à beira da recessão.
"Um governo desse tipo ficará impossibilitado de aprovar as reformas estruturais de que a Itália precisa, especialmente diante da atual situação desfavorável da economia mundial", afirmou Susana Garcia, do Deutsche Bank.
O novo governo será o 62o da Itália desde a Segunda Guerra Mundial e ficará encarregado de comandar a quarta maior economia da União Européia (UE).
O magnata das comunicações Berlusconi, premiê por outras duas vezes -por sete meses em 1994 e, num segundo mandato, entre 2001 e 2006-, vinha sendo apontado como favorito para eleger uma bancada majoritária na câmara baixa do Parlamento. A corrida pelo Senado sempre é mais apertada devido ao complexo sistema eleitoral.
Romano Prodi, que venceu Berlusconi em 2006, anunciou sua renúncia no dia 20 de janeiro, abreviando seu mandato de cinco anos após sua maioria apertada ter virado pó, fazendo com que sua base de apoio entrasse em colapso.
O sucessor de Prodi à frente do Partido Democrático, Veltroni, ex-prefeito de Roma, representou um duro desafio para Berlusconi, que domina a mídia italiana por meio de sua empresa.
De outro lado, alguns dos 47 milhões de eleitores em potencial do país reclamaram que havia poucas diferenças entre os programas de governo dos dois candidatos.
Ambos prometeram reduzir o déficit público -- o terceiro maior do mundo em termos absolutos --, mas também cortar os impostos, aumentar os gastos e incentivar o crescimento.
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