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 Internacional

19/04/2008 - 17h20
Clérigo xiita Sadr ameaça 'guerra aberta' ao governo do Iraque

BAGDÁ (Reuters) - O clérigo xiita Moqtada al-Sadr ameaçou no sábado uma "guerra aberta" contra o governo iraquiano, a não ser que este escolha o que ele chamou de "caminho da paz".

Em um comunicado, o populista Sadr intensificou a tensão com o primeiro-ministro Nuri al-Maliki, também xiita. Maliki lançou uma ofensiva ao exército Mehdi, a milícia de Sadr, e ameaçou proibir seu movimento de participar da vida política.

"Estou dando o último aviso ao governo do Iraque -- ou ele volta à consciência e toma o caminho da paz ou será (visto) como o governo anterior", disse Sadr, se referindo ao governo de Saddam Hussein.

O clérigo adicionou: "Se eles não tomarem consciência e conterem as milícias infiltradas, então nós vamos declarar uma guerra aberta até a libertação".

Seu comunicado foi divulgado após soldados iraquianos atacarem o reduto do exército Mehdi em Basra. A invasão pelas tropas do governo teve o apoio de um bombardeio de aviões de artilharia norte-americanos e britânicos.

Também houve conflitos em Bagdá entre as forças de segurança e os membros da milícia de Sadr que usam máscaras negras. A polícia disse que 12 pessoas foram mortas em uma favela xiita e os hospitais disseram ter recebido mais de 130 pessoas feridas durante a noite.

A ofensiva inicial de Maliki no início do mês em Basra foi criticada pelos comandantes norte-americanos por ter sido mal-planejada. Falhou em retirar o exército Mehdi das ruas e gerou confrontos em algumas regiões.

O governo dispensou 1.300 soldados por se recusarem a lutar. Por sua vez, no sábado, Harith al Idhari, chefe do escritório de Sadr em Basra, disse que a milícia não ofereceu resistência, observando o cessar-fogo declarado pelo clérigo.

Maliki ameaçou proibir o movimento de Sadr de participar das eleições nas províncias neste ano se o clérigo não desmontar sua milícia.

Em resposta, Sadr ameaçou retirar o cessar-fogo que impôs às suas milícias em agosto, o que poderia gerar um conflito de grande escala.

Em seu comunicado, Sadr não se referiu ao cessar-fogo, mas seu porta-voz em Najaf, Salah al-Ubaidi, disse que o clérigo não estava blefando.

(Edição de Tim Pearce)

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