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26/10/2008 - 20h43

Fogaça vence e PMDB elege, pela 1a vez, prefeito de Porto Alegre

Por Sinara Sandri

PORTO ALEGRE (Reuters) - Com a reeleição de José Fogaça, o PMDB conquistou pela primeira vez a prefeitura de Porto Alegre. Aos 61 anos, Fogaça derrotou a deputada federal Maria do Rosário (PT) e adiou os planos petistas de retomar o controle da administração da capital gaúcha.

Fogaça já havia vencido o primeiro turno da eleição municipal e confirmou a vitória neste domingo com 58,95 por cento dos votos (471 mil votos), contra 41,05 por cento de Maria do Rosário (328 mil votos). Ele é o primeiro prefeito a ser reeleito pelo voto popular em Porto Alegre.

A disputa reeditou o confronto de 2004, quando Fogaça concorreu pelo PPS e derrotou a chapa de Raul Pont e Maria do Rosário, interrompendo um ciclo de quatro administrações petistas em Porto Alegre.

"O projeto político que venceu estas eleições é um projeto que implantou um ciclo de mudanças e está preparado para enfrentar as novas fases com a mesma coragem", disse Fogaça.

Em uma campanha marcada por uma maratona de debates --oito em pouco mais de duas semanas-- Fogaça dedicou-se a rebater críticas e apresentar realizações, dando à eleição um caráter de plebiscito sobre sua administração.

Atribuindo as falhas ou atrasos na melhoria dos serviços públicos a dificuldades financeiras herdadas dos governos petistas que o antecederam, Fogaça defendeu o continuísmo da sua administração com a idéia de que "a mudança não pode parar".

No segundo turno, ao integrar DEM, PSDB e PPS à coligação original, o prefeito reeleito conseguiu recompor sua base de apoio em uma aliança que reproduz a composição de partidos que já participam do governo.

DIFICULDADE PETISTA

Além do eleitorado do PT ter diminuído em redutos tradicionais da esquerda na capital, a candidatura de Maria do Rosário não conseguiu superar o desgaste sofrido pelos 16 anos a frente do governo municipal.

As críticas sobre uma suposta falta de empenho e eficiência de Fogaça na busca de soluções para a cidade foram sistematicamente devolvidas com justificativa de que os petistas tiveram mais tempo e também não resolveram os gargalos em áreas como saúde, educação e transporte.

A vinculação da candidata ao presidente Luiz Inácio Lula de Silva e o depoimento de apoio veiculado nos últimos programas eleitorais também não foram suficientes para garantir a virada petista.

Além dos danos provocados pela disputa interna para escolha do candidato do PT à eleição, a divisão do eleitorado entre três candidatas da esquerda e a dificuldade em recompor a Frente Popular também podem ter contribuído para a derrota de Rosário.

Apesar da indicação nacional, a adesão do PCdoB à candidatura petistas precisou de um longo processo de negociação e a candidata comunista, Manuela D'Ávila, teve uma participação bastante restrita com uma aparição de pouco mais de 20 minutos em uma atividade na véspera da eleição.

Ao reconhecer a derrota, Maria do Rosário cumprimentou o adversário e disse estar à disposição para contribuir com a cidade.

"Para os setores preconceituosos e antipetistas, quero dizer que a Frente Popular está viva", disse Rosário.

"PACIFICADOR"

Durante toda a campanha, Fogaça apresentou-se como o "pacificador" da cidade enfatizando sua capacidade de superar hostilidades e diferenças partidárias que teriam marcado a política da cidade. Na administração municipal, sua principal marca foi manter os projetos e políticas implantadas pelos governos que o antecederam cujos resultados eram positivos.

A carreira de José Fogaça começou ainda no antigo MDB, em 1978, como deputado estadual e a maioria de sua vida política foi feita dentro do PMDB, partido pelo qual foi eleito deputado estadual e senador por dois mandatos. Em 2001, migrou para o PPS junto com um grupo de lideranças ligadas ao ex-governador Antônio Britto.

Em 2002, sob a nova sigla e em uma coligação com o PFL, tentou um terceiro mandato para o Senado e amargou um quarto lugar no pleito que elegeu Sérgio Zambiasi (PTB) e Paulo Paim

(PT).

Ao disputar a prefeitura e assumir o primeiro mandato na capital, em janeiro de 2005, José Fogaça integrava o PPS. A volta para o PMDB foi patrocinada pelo senador Pedro Simon em 2007.

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