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COMUNICAR ERRORIO (Reuters) - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu nesta quinta-feira que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, reavalie a relação norte-americana com Cuba.
"É o momento de os americanos repensarem o regime com Raúl Castro, a estabilidade da região é importante", disse Jobim a jornalistas.
"O desbloqueio (a Cuba) é difícil, o caminho é a mudança. A expectativa que eu tenho é que destensionar as relações com a América do Sul passa pela crença de um processo de destensionamento com Cuba", acrescentou o ministro.
Durante o discurso de abertura da 5a Conferência de Segurança Internacional do Forte de Copacabana, Jobim citou o senador democrata dos EUA Chuck Hagel, um dos consultores de Obama em política externa e crítico da guerra do Iraque.
O senador por Nebraska defende, segundo o ministro, a reapresentação dos Estados Unidos ao mundo.
"A expressão dele é correta, a visão que há hoje não é boa... não se realiza só por linguagem, mas por atos. O dificultador na América do Sul é o eterno bloqueio a Cuba", acrescentou Jobim, referindo-se ao embargo comercial imposto pelos EUA à ilha comunista há 46 anos .
"O presidente Obama nasce com essa perspectiva de reapresentação. O que nós queremos e o que nós esperamos é que a campanha seja igual ao governo", disse Jobim, referindo-se ao democrata eleito no dia 4 de novembro e que assumirá em janeiro o cargo ocupado por dois mandatos consecutivos pelo republicano George W. Bush.
Obama já afirmou que deve conceder aos cubano-americanos direitos ilimitados de visitar Cuba e enviar dinheiro para as família que estão na ilha. E que está aberto ao diálogo com presidente Raúl Castro. No entanto, o democrata afirmou que poderia manter o embargo como forma de pressionar Cuba a fazer mudanças democráticas.
PLANO DE DEFESA
Com relação ao Plano Estratégico Nacional de Defesa, Nelson Jobim afirmou que deve ser divulgado entre 8 e 15 de dezembro. Segundo ele, na próxima terça-feira haverá uma reunião com parlamentares para apresentação das linhas gerais do programa. No dia 27 de novembro, o ministro vai se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com Roberto Mangabeira Unger (ministro de Assuntos Estratégicos) e com a chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, para fechar o plano.
"Vai ser uma reunião para bater o martelo e fechar o plano, porque há alguns temas que só o presidente pode decidir", acrescentou.
Jobim disse ainda que após o encontro com Lula entrará em contato com líderes da Câmara e do Senado e convocará o Conselho de Defesa Nacional.
Segundo o ministro, o plano de defesa terá três pontos básicos: a reestruturação das Forças Armadas, a criação de uma indústria nacional de defesa e a composição das Forças Armadas.
Nesse último ponto, segundo o ministro, ainda há divergências sobre o serviço militar obrigatório ou serviço militar voluntário.
"Isso tudo faz com que nós tenhamos que pensar o que fazer, vamos ou não continuar assim (com serviço militar obrigatório)? Esse é um grande debate, haverá aqueles que querem assalariar mercenários e aqueles que querem remunerar brasileiros", disse.
(Por Rodrigo Viga Gaier)

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