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COMUNICAR ERROPor Nidal al-Mughrabi
GAZA (Reuters) - Centenas de palestinos ousaram sair de suas casas para comprar comida na quarta-feira durante uma trégua de três horas em Gaza, no primeiro passo rumo a um cessar-fogo proposto pelo Egito que está sendo analisado por Israel e pelo Hamas.
"Comida e leite - o que mais podemos querer em três horas", disse Ahmed Abu Kamel, pai de seis crianças que mora perto da cidade de Gaza. "Todos nós queremos que isso acabe."
A violência recomeçou na região pouco depois do final da trégua marcada para ocorrer entre 13h e 16h (horário local). Os palestinos voltaram à precária segurança de suas casas após estocar alimentos e visitar parentes e amigos.
Israel anunciou que cessará os ataques na Faixa de Gaza nesse horário diariamente para facilitar o fluxo de ajuda humanitária no território de 1,5 milhão de habitantes governado pelo Hamas.
Um dia depois de um bombardeio israelense matar 42 palestinos em uma escola em Gaza dirigida pela Organização das Nações Unidas (ONU), Israel disse considerar "positivas" as conversas com Cairo sobre um plano de cessar-fogo mais amplo promovido pelo presidente egípcio, Hosni Mubarak, e pelo líder francês Nicolas Sarkozy.
"Nós recebemos com agrado a iniciativa franco-egípcia. Queremos que ela tenha êxito", disse Mark Regev, porta-voz do primeiro-ministro israelense, Ehud lmert, cujo gabinete de segurança optou por adiar a decisão de expandir a ofensiva em Gaza, que dura 12 dias.
Israel quer que o acordo de cessar-fogo inclua uma força internacional especializada para localizar e destruir túneis ao longo da fronteira entre Gaza e Egito a fim de evitar que o Hamas se rearme e dispare mais foguetes contra cidades israelenses.
Uma autoridade palestina disse que os governantes do Hamas na Faixa de Gaza, que querem o fim do bloqueio israelense ao enclave, haviam conversado com Mubarak no Egito e debatiam a proposta.
"A agressão precisa parar, o bloqueio precisa ser suspenso e as forças sionistas devem se retirar, e então poderemos conversar sobre outras questões, incluindo tranquilidade e foguetes", disse o porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum.
Em novos confrontos, ao menos 12 palestinos foram mortos por ataques israelenses, segundo profissionais da área médica. Ao menos 15 foguetes do Hamas atingiram o sul de Israel sem provocar vítimas.
O número total de palestinos mortos chegou a 650, disseram autoridades médicas. Israel afirma ter matado dezenas de militantes esta semana na ofensiva iniciada em 27 de dezembro com o objetivo declarado de silenciar as salvas de foguetes.
De acordo com as contas da ONU, mais de um quarto dos mortos palestinos são civis. Um grupo de direitos humanos palestino acredita que essa proporção seja de 40 por cento. Sete soldados israelenses e três civis morreram.
A ONU pediu uma investigação sobre o bombardeio israelense letal que atingiu a escola da instituição no campo de refugiados de Jabalya na terça-feira. Israel disse que militantes do Hamas dentro da escola dispararam foguetes. A ONU afirmou que não havia combatentes no local.
Um assessor disse que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, adversário do Hamas, ordenou que oficiais examinassem a possibilidade de levar Israel a tribunais internacionais em razão das mortes na escola.
Fontes do governo israelense afirmaram que o Egito buscava um cessar-fogo inicial de 48 horas, durante o qual acertaria os detalhes finais do plano. Segundo as fontes, Israel se opôs a uma trégua preliminar e quer, primeiro, todos os detalhes do acordo para um cessar-fogo.

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