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03/11/2009 - 09h27

Líder afegão Hamid Karzai promete governo de inclusão

Por Hamid Shalizi e Sayed Salahuddin

CABUL (Reuters) - O presidente reeleito do Afeganistão, Hamid Karzai, prometeu na terça-feira formar um governo de inclusão depois de advertências rigorosas de aliados ocidentais de que ele teria que trabalhar mais duro para acabar com a corrupção.

Autoridades eleitorais afegãs cancelaram na segunda-feira um segundo turno na eleição depois que o único rival de Karzai, o ex-chanceler Abdullah Abdullah, se retirou da disputa, citando graves inquietações sobre a votação.

O resultado deixa Washington e outros aliados ocidentais trabalhando com um parceiro cuja legitimidade é questionada, enquanto o próprio Karzai enfrenta a perspectiva de ter que trabalhar com uma oposição recém-reforçada.

A volta de Karzai tira ao menos um obstáculo enquanto o presidente dos EUA, Barack Obama, estuda se deve enviar até mais 40 mil soldados ao Afeganistão, onde a violência este ano chegou ao seu pico desde que o Taliban foi derrubado do poder em 2001.

Diante de advertências rigorosas de Obama, do premiê britânico Gordon Brown e de outros líderes ocidentais, Karzai prometeu formar um governo de inclusão.

"Meu governo será para todos os afegãos e todos os que quiserem trabalhar comigo serão bem-vindos", disse Karzai em um discurso transmitido pela televisão.

"Haverá mudanças cruciais em nosso futuro governo. Agora estamos determinados a usar todas as nossas forças, de todas as maneiras, para remover essa mancha (de corrupção) de nosso solo", disse.

O Afeganistão sofreu semanas de incerteza política depois que o primeiro turno em 20 de agosto foi arruinado pelas fraudes, a maior parte em favor de Karzai, uma crise aprofundada por um Taliban ressurgente, que tinha prometido interromper a eleição.

O Taliban vê a volta de Karzai como uma farsa e prometeu continuar sua luta para expulsar as forças estrangeiras do Afeganistão.

Os militantes islâmicos lançaram ataques esporádicos no primeiro turno e prometeram interromper o segundo turno eleitoral. Eles disseram que seus combatentes tinham "paralisado" o processo eleitoral com seus ataques, incluindo um atentado a uma hospedaria da ONU na semana passada na qual cinco funcionários estrangeiros morreram.

Obama parabenizou Karzai, mas lhe disse em um telefonema na segunda-feira que ele tinha que se esforçar no combate à corrupção e em melhor servir seu povo.

(Reportagem adicional de Golnar Motevalli e Yara Bayoumy em Cabul e Steve Holland e Caren Bohan em Washington)

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