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19/01/2010 - 13h19

Relatório da ONU vê que corrupção em alta no Afeganistão

Por Adrian Croft

LONDRES (Reuters) - A corrupção custa aos afegãos 2,5 bilhões de dólares por ano, anunciou uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), e a escala da corrupção iguala o tráfico de ópio no país.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) declarou que uma pesquisa nacional que realizou mostra que a desonestidade pública preocupa os afegãos mais que a insegurança ou o desemprego.

"A corrupção impõe uma sobretaxa paralisante sobre uma população que já está entre as mais pobres do mundo", disse em comunicado o diretor-executivo da UNODC, Antonio Maria Costa, acrescentando que a escala da corrupção equivale a quase um quarto do produto econômico do país.

Costa exortou o presidente Hamid Karzai a "tomar medidas intransigentes urgentemente, com base na Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, para cuja ratificação ele fez tanta pressão".

O presidente dos EUA, Barack Obama, e outros líderes ocidentais vêm pressionando Karzai a combater a corrupção em sua administração.

O relatório foi divulgado nove dias antes de uma conferência internacional sobre o Afeganistão em Londres, onde se prevê que Karzai enfrente mais chamados para combater a corrupção, feitos pelos países que enviam tropas para ajudar seu governo a combater os insurgentes do Taliban.

Costa disse que a conferência de Londres deve fixar metas definidas para o governo afegão no tocante à corrupção.

Em novembro, quando tomou posse no início de seu segundo mandato de cinco anos, após uma eleição marcada por fraudes, Karzai prometeu tomar medidas para combater a corrupção. Mas ele também vem defendendo sua atuação no combate à corrupção, dizendo que o problema tem sido "exagerado de maneira desproporcional" pela mídia ocidental.

Baseado em entrevistas com 7.600 afegãos feitas entre agosto e outubro do ano passado, com pessoas em 12 capitais provinciais e mais de 1.600 vilarejos espalhados pelo Afeganistão, o relatório constatou que o pagamento de subornos faz parte do cotidiano afegão.

Nos últimos 12 meses, um em cada dois afegãos foi obrigado a pagar pelo menos uma propina a uma autoridade pública, como policial, juiz, promotor ou integrante do governo.

Em um país onde a produção econômica per capita é de apenas 425 dólares anuais, o valor médio de cada propina é 160 dólares.

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