UOL Notícias Cotidiano
 

01/06/2009 - 18h09

Aeronáutica manterá buscas pelo avião do voo AF 447 durante o período noturno

Do UOL Notícias
Em São Paulo e Brasília*
Atualizada às 19h17

A Aeronáutica deve estender para o período noturno as buscas pelo Airbus A 330, que realizava o voo AF 447 da Air France e desapareceu durante voo entre o Rio de Janeiro e Paris. Um avião Hércules (C-130) já está sendo deslocado para fazer a varredura eletrônica, com o uso de radar, na mesma rota seguida pela aeronave francesa. Uma nota oficial sobre essa operação deve ser divulgada ainda hoje, depois das 19h, segundo a FAB.

A rota do voo AF 447

  • Imagem: Força Aérea Brasileira

Ainda há a possibilidade de que uma segunda aeronave venha a reforçar o trabalho durante a noite à procura do avião acidentado.

Até o momento, há seis aeronaves brasileiras envolvidas no trabalho, incluindo dois helicópteros destinados a resgate, que ficarão em Fernando de Noronha, assim como os aviões. Durante o dia de hoje, duas aeronaves brasileiras realizaram voos na rota do Airbus acidentado.

Um Hércules, que estava em Las Palmas, com destino à Europa, e havia sido acionado para ajudar nos trabalhos, teve sua missão suspensa, depois que a França enviou dois aviões de reconhecimento em direção à área onde supostamente o Airbus teria desaparecido. A Espanha também enviou dois aviões para colaborar nas buscas.

O vice-chefe do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, coronel Jorge Antônio Amaral, avaliou hoje (1º) que a maior dificuldade nas buscas se deve à localização - a área onde a aeronave desapareceu dos radares está localizada no centro do Oceano Atlântico. "O acesso é um pouco lento", disse.

"É necessário uma base o mais próximo possível para que haja abastecimento das aeronaves como suporte. Hoje, estamos usando as bases de Natal e de Fernando de Noronha."

A Força Aérea norte-americana, de acordo com Amaral, também se colocou à disposição, mas ainda não há um número definido de aeronaves a serem enviadas. O governo norte-americano disponibilizou pessoal e equipamentos do Comando Sul, sediado no Panamá. "Quanto mais gente melhor", afirmou o coronel, ao ser questionado sobre a necessidade de se acionar a ajuda norte-americana - o que também foi feito pela França.



A Marinha enviou três navios para auxiliar a Força Aérea Brasileira. As três embarcações são o navio-patrulha Grajaú, que partiu de Natal, a fragata Constituição, que saiu de Salvador, e a corveta Caboclo, que saiu de Maceió. Os navios são normalmente utilizados em operação de busca e salvamento.

Segundo o Centro de Comunicação da Marinha, a primeira embarcação deve chegar à região do último contato do avião, que ocorreu a cerca de 770 km de Fernando de Noronha, às 7h do dia 3/6 (quarta-feira). Essa foi a região indicada pela Aeronáutica para o início das buscas, segundo a Marinha.

Há mais dois navios da Marinha de sobreaviso, a fragata Bosísio e o navio-tanque Gastão Mota. Além disso, a Marinha coordena ações de buscas junto aos navios mercantes que cruzam a rota provável do acidente.

Aeronaves
De acordo com a FAB, a operação de busca foi iniciada às 2h30 desta segunda-feira, quando foram acionados um avião Hércules C-130 e um Bandeirante P-95.

A revista francesa Le Point informou que o governo francês, além de um avião de reconhecimento Bréguet Atlantic baseado em Dakar, enviado inicialmente para a região em que houve o desaparecimento, também mobilizou outro avião semelhante e um pequeno jato Falcon 50.

A França também enviou um navio que estava na costa da Guiné para a região, mas ele estaria a "vários dias" de viagem do local, segundo o porta-voz do Estado Maior francês. O uso de satélites de observação teria pouco efeito na região, devido ao fato de a região estar coberta por nuvens.

Voo AF 447 - Rio-Paris

  • Gonzalo Fuentes/Reuters

    Parentes e amigos de passageiros do voo AF 447 chegam a centro de crise montado no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris

Os aviões da FAB envolvidos na ação, segundo nota da Aeronáutica, são:
- 1 avião Bandeirante de patrulha marítima (P-95), que decolou de Salvador com destino a Fernando de Noronha-PE;

- 1 helicóptero Blackhawk (H-60), que está em voo prosseguindo para Natal-RN, e posteriormente para Fernando de Noronha-PE;

- 1 aeronave Bandeirante SR (SC-95), de Campo Grande (MS) para Natal;

- 1 aeronave Amazonas (SC-105) de busca e resgate, de Campo Grande (MS) para Natal;

- 1 helicóptero Super Puma (H-34), do Rio de Janeiro com destino a Natal;

- 1 aeronave Hércules (C-130), com a equipe do Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (Parasar), unidade de elite para operações de busca e resgate;

O acidente
A aeronave da Air France decolou do aeroporto do Galeão às 19h30 (horário de Brasília). Às 22h33, o avião realizou o último contato via rádio com o Centro de Controle de Área Atlântico (Cindacta 3), quando estava a cerca de 565 km de Natal (RN), informando que ingressaria no espaço aéreo de Dakar, no Senegal (a 1.228 km de Natal RN), às 23h20.

Às 22h48, quando a aeronave saiu da cobertura radar do Cindacta 3, as informações indicavam que a aeronave voava normalmente a 35.000 pés (11 km de altitude) e a uma velocidade de 840 km/h.

Às 23h20, a aeronave da Air France não efetuou o contato via rádio previsto com o comando de voo de Dakar, segundo nota divulgada pelo Ministério da Defesa brasileiro.

De acordo com a Air France, a aeronave atravessou uma zona de tempestade com fortes turbulências às 23 horas (horário do Brasil). Uma mensagem automática foi recebida às 23h14 indicando uma pane do circuito elétrico numa zona afastada da costa.

* Com informações da Agência Brasil

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