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14/04/2005 - 17h06
Representante da OAB-SP diz que polícia de São Paulo "está de parabéns" por prender jogador argentino

Veja a entrevista em vídeo

Da Redação

O presidente da Comissão do Negro e Assuntos Antidiscriminatórios (Conad) da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de São Paulo), Marco Antonio Zito Alvarenga, afirmou, em entrevista ao UOL News, que a polícia de São Paulo "está de parabéns" pela atitude de prender o jogador argentino Leandro Desábato, do Quilmes, por acusação de crime de injúria com agravante de preconceito racial.

"Acompanhamos os procedimentos adotados pela autoridade policial.
Foi tudo feito dentro da legalidade, sem qualquer excesso, tomando todos cuidados possíveis e necessários para que a repercussão não tomasse um rumo diferenciado, e assistimos algumas situações que justificam a atuação da polícia. Em nenhum momento a polícia exorbitou na sua atividade policial", disse Alvarenga.

"Ele (o jogador) confirma o insulto verbal, moral, praticado contra o jogador Grafite. Ele disse ao Grafite, usando palavras baixas, que pegasse uma banana e introduzisse em algum lugar de seu corpo. Disse ali, naquele momento, no calor da disputa", afirmou Alvarenga.

"Isso é um verdadeiro acinte num país como nosso, onde a população negra representa mais da metade da população, e o esporte é até um instrumento de inclusão social do negro no Brasil. É um desrespeito à legislação do país, que busca a inclusão social de todos sem qualquer diferença. É uma busca, um trabalho feito ao longo do tempo."

"O Brasil dá um exemplo, o exemplo de que as leis em geral desse país têm de ser cumpridas, em especial os princípios básicos da nossa Constituição. Não há como falar em arbitrariedade, em abuso de autoridade, neste caso. Aquele que está dentro do território de outro país, tem que respeitar a legislação daquele país onde ele é visitante, onde foi trabalhar."

Segundo Alvarenga, o caso pode ter um dos seguintes três desfechos: a Justiça pode conceder liberdade provisória mediante fiança e liberar o jogador para voltar à Argentina, pode liberá-lo mas obrigar que ele fique no Brasil até o término do processo judicial, e pode mantê-lo preso.

Para o advogado, o caso não deve terminar em conflito diplomático. "Não acho, não vejo nenhuma dificuldade na questão das relações mantidas entre Brasil e Argentina. Trata-se do delito de um estrangeiro que feriu a legislação nacional e que deve ser cuidado pelo Judiciário. É uma questão de autonomia, da soberania. Se todo caso individual for tratado como problema diplomático nas relações internacionais entre os países, não teremos sossego, as relações ficarão difíceis."

"A polícia de São Paulo está de parabéns, atuou bem. Sem misturar a questão de rivalidade, somos irmãos, mas justamtente por isso devemos nos respeitar."

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